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Renamo exige esclarecimentos exaustivos sobre recrutamento compulsivo de jovens

Ministério da Defesa moçambicano já desmentiu a autoria do recrutamento, garantindo que vai investigar o caso.
Lusa 7 de Fevereiro de 2020 às 18:03
Ossufo Momadedo, do partido Renamo
Ossufo Momadedo, do partido Renamo FOTO: António Silva/Lusa
A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), maior partido da oposição, exigiu esta sexta-feira ao Governo esclarecimentos "mais exaustivos" em relação a rumores sobre um alegado recrutamento compulsivo de jovens para o cumprimento do serviço militar no Norte do país.

"A questão não é dizer que a informação é falsa, mas garantir segurança à população", disse Venâncio Mondlane, assessor político do presidente da Renamo, Ossufo Momade, durante uma conferência de imprensa em Maputo.

Em causa estão imagens que circulam nas redes sociais que mostram, em vários pontos de Maputo, jovens a correr, hoje, pela manhã, supostamente a fugir de militares que os querem levar à força para integrar o exército que combate insurgentes no Norte de Moçambique.

O Ministério da Defesa desmentiu hoje a autoria do recrutamento, garantindo que vai investigar o caso para "descobrir a origem, motivações e os autores" das informações que lançaram alarme nalguns bairros.

A Renamo considerou "vazio de conteúdo" o comunicado do ministério, afirmando que se trata de "falta de coordenação institucional", pois as informações circulam há mais de quatro dias nas redes sociais.

"Os comunicados dos ministérios do Interior e da Defesa foram muito superficiais e não respondem àquilo que é o anseio da população", referiu Venâncio Mondlane.

O suposto recrutamento coincide com a época de recenseamento militar, lançado em 10 de janeiro com fim previsto para 28 de fevereiro.

O Comando Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM) anunciou hoje que intensificou a patrulha nas zonas identificadas como propensas à difusão de informação sobre o dito recrutamento.

"[Já temos] indivíduos retidos na esquadra para identificação, visando, acima de tudo, neutralizar os cabecilhas [dos boatos]", afirmou hoje o porta-voz do Comando-Geral da PRM, Orlando Mudumane, em Maputo.

No Norte, grupos armados aterrorizam desde 2017 vários distritos da província de Cabo Delgado e já provocaram entre 350 e 400 mortos entre agressores, residentes e militares moçambicanos, além de deixar cerca de 60.000 afetados ou obrigados a abandonar as suas terras e locais de residência, de acordo as Nações Unidas.

As Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) têm estado no terreno, mas o Presidente da República, Filipe Nyusi, admitiu recentemente que são necessários apoios externos para lidar com o problema.

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