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Requalificação urbana provoca problemas no abastecimento de água na capital de Cabo Verde

Má utilização da rede de esgoto, o furto de água e a vandalização das infraestruturas de saneamento são ainda grandes preocupações no país.
31 de Maio de 2019 às 09:56
Cabo Verde conseguiu a independência a 5 de julho de 1975
Cabo Verde conseguiu a independência a 5 de julho de 1975 FOTO: Getty Images
Obras de requalificação urbana têm provocado avarias e "problemas pontuais" no abastecimento de água em alguns bairros da capital de Cabo Verde, informou esta sexta-feira a empresa Águas de Santiago (AdS), ressalvando haver outros aspetos que condicionam o fornecimento.

Em resposta a perguntas da agência Lusa, após relatos de problemas de abastecimento em diversos bairros da cidade da Praia e noutros concelhos da região de Santiago Sul, a AdS começou por dizer que a distribuição de água na Praia é feita de forma intermitente.

Contudo, ultimamente, devido a obras de requalificação urbana em alguns bairros, a empresa constatou que a intermitência tem sido alargada, nomeadamente aos bairros de Ponta de Água, Achada São Filipe, Monte Agarro, Achada de Santo António, Terra Branca e Bela Vista.

"Não temos nenhum bairro na sua generalidade com falta de água. Temos problemas pontuais devido a avarias. E, em média, o fornecimento de água é reposto no dia seguinte com exceção dos casos mais complexos em que a suspensão demora mais tempo", esclareceu.

A empresa de distribuição de água na ilha de Santiago adiantou que tem mantido encontros com a Câmara Municipal da Praia, no sentido de um trabalho em parceria, para evitar a deterioração da rede de abastecimento de água na capital cabo-verdiana.

A AdS enumerou alguns locais com "fornecimento condicionado", notando que isso não acontece pelo não fornecimento de água, mas devido a "problemas estruturantes" na rede.

Uma dessas zonas é o Fundo e Alto Calabaceira, onde a rede foi danificada por terceiros, devido a obras de construção da rede de esgotos.

"Foi necessária a execução de nova rede e ramais. Está-se na reta final e prevemos regularizar o fornecimento até ao final desta semana", previu a AdS nas respostas à Lusa.

Em Caiada, a empresa constatou problemas no sistema de abastecimento de Santa Clara, mas garantiu que já está a envidar esforços para resolver as avarias e melhorar o abastecimento a esta localidade.

A AdS recebeu ainda queixas de pouca pressão da água em Eugénio Lima, observando que a resolução do problema é "um trabalho bastante complexo, cuja resolução não é imediata".

A má utilização da rede de esgoto, o furto de água e a vandalização das infraestruturas de água e saneamento continuam a ser as grandes preocupações da empresa, que apela aos clientes para fazerem um melhor uso das estruturas de água e saneamento.

Depois da realização de um estudo sobre perdas de água na cidade da Praia, mais concretamente em Achada Santo António, a AdS constatou que uma grande percentagem de perdas de água é proveniente de reservatórios e cisternas instalados nos prédios.

Neste sentido, a empresa avançou que está a preparar uma campanha de sensibilização sobre a impermeabilização de reservatórios e cisternas.

"Estas perdas têm causado prejuízos enormes para a empresa gestora, bem como tem reflexo na economia dos próprios donos de prédios. Daí a necessidade da realização de uma campanha de sensibilização destinada aos proprietários ou responsáveis dos prédios instalados na cidade da Praia, particularmente, e em toda a ilha de Santiago", acrescentou a Águas de Santiago.

Em janeiro, o ministro da Agricultura e Ambiente cabo-verdiano, Gilberto Silva, adiantou que as perdas no sistema de gestão de água na cidade da Praia rondam os 40% e que estão relacionadas com o sistema de canalização, que é velho, e com questões comerciais.
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