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Três corpos encontrados na margem do rio Messalo em Moçambique

Membros da comunidade revelaram que dos três corpos "um é do sexo feminino e outros são homens".
Lusa 9 de Agosto de 2022 às 14:04
Polícia da República de Moçambique
Polícia da República de Moçambique FOTO: Reuters
A comunidade de Tadavala, no limite entre os distritos de Macomia e Muidumbe, encontrou esta terça-feira três corpos sem vida nas margens do rio Messalo, disseram à Lusa fontes locais.

"Nós íamos apanhar lenha naquela área e, repentinamente, sentimos um cheiro anormal. Fomos verificar e encontramos os corpos sem vida. Não conseguimos reconhecer os rostos, mas não são pessoas desta comunidade", explicou à Lusa um residente local.

Os membros da comunidade, localizada a 81 quilómetros da sede distrital de Macomia, notificaram a força local, ex-combatentes que apoiam as forças governamentais no combate contra a insurgência em Cabo Delgado nas comunidades.

"Dos três, um é do sexo feminino e outros são homens. Notamos que um destes homens tinha sinais de ter perdido a vida com um golpe na parte do pescoço", descreveu um membro da força local que esteve no ponto onde os corpos foram encontrados.

Há quase uma semana, na outra margem do rio Messalo, um grupo desconhecido decapitou um idoso, um episódio que se suspeita ser da autoria dos grupos rebeldes que deambulam pela região, em fuga das operações militares que têm sido desencadeadas pelas forças governamentais.

O interior do distrito de Macomia foi durante os últimos meses palco de vários confrontos, no âmbito de operações do exército moçambicano, apoiado pelo Ruanda e Comunidade de Desenvolvimento da África do Sul (SADC), que culminaram com o assalto a principal base rebelde naquele distrito: a base Catupa.

 A base Catupa, descrita como o principal refúgio dos rebeldes em Macomia, estava localizada numa mata densa do distrito e albergava insurgentes que fugiram das operações militares para a recuperação de Mocímboa da Praia, em agosto do ano passado, segundo informações avançadas pelas Forças Armadas de Defesa e Segurança de Moçambique em 23 de julho.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Há 784 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

Desde julho de 2021, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu recuperar zonas onde havia presença de rebeldes, mas a fuga destes tem provocado novos ataques noutros distritos usados como passagem ou refúgio temporário.

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