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Tribunal angolano começa a julgar acusados de rebelião em incidentes de há um ano

Julgamento coloca no banco dos réus mais de 25 arguidos.
Lusa 28 de Janeiro de 2022 às 07:43
Tribunal
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A justiça angolana começa esta sexta-feira a julgar o líder do Movimento do Protetorado Português Lunda Tchokwe (MPPLT), José Mateus Zeca Mutchima, responsabilizado pelos incidentes em Cafunfo, que causaram mortos e feridos, há um ano.

Zeca Mutchima está detido pelo Serviço de Investigação Criminal, desde 8 de fevereiro de 2021, indiciado pelos crimes de "associação de malfeitores e rebelião armada", na sequência os incidentes de 30 de janeiro de 2021, em Cafunfo, província da Lunda Norte.

O julgamento, que coloca no banco dos réus mais de 25 arguidos, irá decorrer no Dundo, nesta província angolana.

Segundo a polícia angolana, cerca de 300 pessoas ligadas ao MPPLT, que há anos defende autonomia daquela região rica em recursos minerais, tentaram invadir, na madrugada de 30 de janeiro de 2021, uma esquadra policial de Cafunfo, e em defesa as forças de ordem e segurança atingiram mortalmente seis pessoas.

A versão policial é contrariada pelos dirigentes do MPPLT, partidos políticos na oposição e sociedade civil local que falam em mais de uma dezena de mortos.

Zeca Mutchima é apontado pelas autoridades como cabecilha deste alegado "ato de rebelião", que para os cidadãos locais era uma "manifestação pacífica".

O Ministério Público (MP) angolano acusou Zeca Mutchima e 25 manifestantes envolvidos em protestos em Cafunfo, em despacho, pela prática dos crimes de ultraje ao Estado e seus símbolos e associação de malfeitores.

De acordo com o despacho a que a Lusa teve acesso, Zeca Mutchima está a ser acusado num processo único com outros 25 coarguidos, tendo em comum os crimes de ultraje ao Estado e seus símbolos e associação de malfeitores, enquanto os manifestantes vão responder também pelos crimes de rebelião.

O despacho refere que os 25 coarguidos e outros, numa composição de 400 pessoas, pertencentes ao denominado MPPLT, munidos de armas de fogo, do tipo AKM, caçadeiras, flechas, ferros, paus, instrumentos cortantes, engenhos explosivos de fabrico artesanal, forquilhas (fisgas), pequenos machados, catanas e estátuas de superstição se deslocaram às instalações onde funciona a esquadra policial de Cafunfo, com o objetivo de a ocupar.

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