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76 dias depois: Habitantes da cidade de Wuhan, epicentro do coronavírus, são livres para sair de casa

Com um espetáculo de luzes e os sinos a tocar à meia-noite, os 11 milhões de habitantes daquele que foi o foco do novo coronavírus deixaram de estar confinados - e mais de 65 mil abandonaram a cidade.
SÁBADO 8 de Abril de 2020 às 19:17
Amigos juntam-se na rua para celebrar fim da quarentena devido ao coronavírus em Wuhan, China
Amigos juntam-se na rua para celebrar fim da quarentena devido ao coronavírus em Wuhan, China FOTO: EPA

Fechados há 76 dias naquele que foi o foco original da pandemia do novo coronavírus, os habitantes de Wuhan tiveram esta quarta-feira o primeiro dia de liberdade. Depois de um espetáculo de luzes, com os sinos a tocar à meia-noite, os 11 milhões de habitantes puderam sair à rua – e mais de 65 mil pessoas abandonaram a cidade nas primeiras horas, de acordo com a Associated Press.

Às primeiras horas da manhã, na estação de Hankou – uma das principais da cidade –, e depois de uma restrição sem precedentes, já se acumulavam longas filas de passageiros que esperavam os comboios que os levariam, pela primeira vez desde o dia 23 de janeiro, para fora da cidade.

Mas quem quiser abandonar a cidade de comboio ou avião precisa de mostrar um código de barras – numa aplicação – que prova que essa pessoa não está infetada. É necessário também medir a temperatura. Para viajar para destinos como Pequim é obrigatória uma autorização, pedida pela Internet – para conseguir essa autorização é necessário fazer um duplo teste à covid-19, antes de sair de Wuhan e ao chegar a Pequim. Inclusivamente, apenas mil pessoas podem viajar até à capital chinesa por dia.

No aeroporto de Tianhe, reaberto também esta quarta-feira, só operam voos nacionais. Os internacionais permanecem encerrados devido ao fecho de fronteiras da China com os países estrangeiros. Esta é uma medida que pretende evitar novos casos importados da doença que infetou naquele mais quase 82 mil pessoas e matou mais de 3 mil.

As medidas de segurança no aeroporto são muitas. Mede-se a temperatura três vezes – uma à entrada, outra nos controlos de segurança e mais uma na porta de embarque – e nas salas de espera é obrigatório deixar uma cadeira vazia entre os viajantes. Cada avião descola com um máximo de 45% dos lugares ocupados e todos viajam com máscaras.

Wang, um estudante de 25 anos, vai viajar até Dalian. Tinha chegado a Wuhan em janeiro para celebrar o ano novo lunar e os anos da avó. Mas o fecho da cidade obrigou-o a ficar. "No principio não se podia sair à rua sem máscara. Depois não se podia sair à rua, ponto final", contou, citado pelo El País. "Era difícil conseguir comida, era preciso encomendar e não havia muita variedade", disse.

Mas acredita que as semanas de isolamento valeram a pena: "Demonstraram que são efetivas. Vejo as noticias que chegam de fora e parece-me que outros países têm um problema maior que o nosso, porque não tomaram medidas tão drásticas como nós. Passámos mal, mas as coisas melhoraram muito".

As restrições na cidade têm vindo a ser aligeiradas nas últimas semanas, à medida que o número de novos casos tem descido. Pouco a pouco, nos últimos dez dias, a cidade foi adotando alguma normalidade. Restaurantes e centros comerciais começaram a abrir portas e, de máscara, já eram muitas as pessoas que saíam à rua. Na terça-feira, os cidadãos de Wuhan deitaram-se como sendo, novamente, de uma cidade livre.

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