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A infância dramática de Mariah Carey: o padrasto violento, a irmã prostituta e os ataques racistas

Cantora abre o leque das suas memórias numa autobiografia chocante. Acusa a irmã de a ter tentado prostituir.
Catarina Figueiredo 30 de Setembro de 2020 às 10:55
Mariah Carey
Mariah Carey
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Mariah Carey

Mariah Carey, uma das cantoras mais bem sucedidas de sempre no panorama internacional, é acarinhada por muitos mas nem todos conhecem a sua história que revela uma infância angustiante e traumática.

A artista, que durante anos manteve inalcançável a ‘bolha’ da sua esfera privada, abriu finalmente o seu leque de memórias num livro que revela histórias chocantes dos seus primeiros anos de vida.

"The Meaning of Mariah Carey" é apenas um vislumbre sobre a vida desta diva marcada por violência doméstica, infidelidade, drogas e racismo. "Cantar era uma forma de escape e escrever era uma maneira de processar os acontecimentos", escreveu a cantora.

Conhecida pelos seus caprichos luxosos, a vida de Mariah Carey começou por ser marcada pela pobreza e pela miséria. Filha de pai negro e mãe irlandesa, a norte-americana cresceu numa família pobre, marcada por várias questões raciais, em Nova Iorque, nos EUA.

"Quando era criança, desenvolvi o instinto de perceber quando a violência estava para chegar", revela a cantora, recordando o episódio de uma briga entre o pai, Alfred Rody, e o irmão, Morgan, que foi de tal forma brutal que teve de envolver 12 polícias.

Os pais de Mariah Carey, que viviam maritalmente em Brooklyn, separaram-se quando esta tinha apenas três anos. Foi então que se mudou com a mãe, Pat, para Long Island. A família nunca teve muito dinheiro e uma das casas onde vivam era conhecida no bairro como a "cabana".

A cantora recorda ainda no seu livro episódios marcantes, tais como a vez em que o irmão atirou a mãe contra a parede de tal maneira que o barulho do embate parecia o de um "tiro". Conta ainda a história de quando um dos ex-namorados da mãe ameaçou matá-la e ao irmão.

Moeda de troca da própria irmã
A polémica irmã da artista, é outro dos capítulos redigidos no livro. Oito anos mais velha que Mariah, Alison já fez correr muita tinta na imprensa internacional, mas não pelos melhores motivos. Já trabalhou como prostituta, é seropositiva, e tem um passado turbulento ligado às drogas. As irmãs vivem de costas voltadas desde 1991.

Agora, a artista conta que a irmã a drogava com medicamentos, lhe chegou a oferecer cocaína e lhe atirou chá a ferver para cima do corpo, causando-lhe queimaduras graves. Mas a grande revelação é a de que esta a tentou vender a um homem que ‘recrutava’ prostitutas, quando Carey tinha apenas 12 anos. John terá tentado forçá-la a manter relações sexuais num carro, mas a futura diva do R&B acabaria por ser salva por um idoso que passava no local.

Mariah recorda com tristeza o percurso da irmã. "Tentei ser a salvadora dela várias vezes, paguei-lhe tratamentos e estadias em clínicas de reabilitação luxosas. Mas mesmo quando tentamos tudo, nem sempre é possível salvar uma pessoa que se está a degradar aos poucos. O mundo de Alison é feito de fogo, mas ela é feita de ‘luz’", escreve a artista em tom de mágoa.

Uma infância marcada por racismo
Embora Mariah Carey tenha saído à "mãe" no tom de pele, ao contrário dos seus irmãos mulatos, a artista revela que nem sempre foi poupada à intolerância dos demais.

Quando tinha quatro anos, usou um lápis de cera castanho para colorir o retrato do pai na escola. Recorda que as professoras "riram de forma histérica" e disseram que ela tinha escolhido a cor errada, uma vez que apenas conheciam a sua mãe.

Aos 13 anos, a notícia de que o seu pai era negro espalhou-se pela escola. Um grupo de raparigas trancou-a num quarto na casa de uma amiga e chamaram-na de vários nomes repetidamente. "Não foi uma briga de meninas no pátio da escola. Foi um ataque violento e premeditado por parte de colegas que eu considerava minhas amigas", lamenta.

A fama que lhe custou um amor opressivo
Mariah Carey soube que queria ser cantora aos três anos de idade. Admite que grande parte da sua carreira e do seu sucesso deve a Tommy Motola, chefe das editoras Columbia Records e Sony Music, e que viria a ser o seu primeiro marido.

Os dois conheceram-se em 1988 numa festa da indústria musical em Manhattan, onde a jovem de 18 anos lhe entregou uma cassete que continha um vídeo seu a cantar. O empresário decidiu investir na carreira da nova-iorquina e só no seu primeiro álbum de estúdio gastou mais de um milhão de dólares em estratégias de marketing. O disco acabou por se revelar um sucesso e lançou Mariah Carey para o estrelato, de onde nunca mais saiu.

Mottola, 21 anos mais velho do que a cantora, viria a casar com esta em 1993 numa boda luxuosa que reuniu convidados como Barbra Streisand, Bruce Springsteen, Ozzy Osbourne e Robert De Niro.

O relacionamento terminou ao fim de oito anos e Mariah atribuiu a personalidade controladora de Mottola ao casamento falhado. Revela que nunca sentiu atração sexual ou física por ele e que se sentia uma prisioneira na mansão milionária onde viviam e onde todas as divisões tinham câmaras de segurança.

"No início senti que estava a pisar ovos. Depois tornou-se numa cama de pregos e mais tarde num campo minado. Nunca sabia quando é que iria explodir e vivia numa ansiedade implacável", conta, acrescentando que chegou a dormir com uma mala de roupa debaixo da cama para o caso de decidir fugir durante a noite

A cantora acabou por alugar um apartamento em Manhattam ao lado da sua escola de teatro, para poder passar algum tempo sozinha, enquanto fingia que estava a ter aulas. Foi então que conheceu Derek Jeter, um jogador de basebol, por quem se apaixonou verdadeiramente. Arranjou coragem e deixou Mottola mas a violência não acabou por aí. Após o divórcio, Mariah Carey garante que o ex-marido usou todas as suas influências para  a punir.

Os críticos internacionais acusam Mariah Carey de ter escrito uma autobiografia incompleta, onde apenas menciona as dificuldades que passou na infância, acabando por omitir detalhes pessoais mais recentes da sua vida, como os romances fracassados e o seu transtorno de bipolaridade.

Atualmente com 50 anos, a estrela é mãe de dois gémos, fruto do seu casamento de oito anos com Nick Cannon.

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