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A morte do pai com Covid-19 levou-a a participar nos ensaios da vacina da Moderna. Conheça o relato de Leila

Leila Macor descreve ao pormenor todo o processo.
Correio da Manhã 25 de Novembro de 2020 às 12:40
Leila Macor
Leila Macor FOTO: Facebook
Leila Macor, uma correspondente da agência de notícias francesa AFP em Miami, é uma dos milhares de voluntários que participam nos ensaios clínicos da vacina contra a Covid-19. 

A mulher decidiu participar nos testes da farmacêutica Moderna em homenagem ao pai que morreu vítima da doença no Chile e conta agora, ao pormenor, a sua experiência, iniciada poucas semanas depois da morte do progenitor. 

Leila participou na fase III dos ensaios da
 empresa de biotecnologia americana e não sabe se recebeu placebo ou mesmo a vacina. "A incerteza vai matar-me", assume. O processo de testes divide voluntários em dois grupos: um grupo recebe placebo - um fármaco inerte, que nada faz - e o outro recebe a vacina propriamente dita. 

O processo: Do documento com 22 páginas aos possíveis efeitos colaterais
A voluntária revela que o processo começou com os responsáveis pelos ensaios a darem-lhe um documento com 22 páginas que teria de ler atentamente. Depois teria de passar por duas doses ddo fármaco - que poderiam conter a vacina ou placebo - e receberia 2,400 dólares ao longo de dois anos.

"Fomos avisados ??de possíveis efeitos colaterais , desde dor no local da injeção até febre e calafrios. Os 30 mil voluntários seriam divididos em dois grupos: metade receberia a vacina; a outra metade, o placebo", afirma acrescentando que a enfermeira que lhe administrou o fármaco lhe confidenciou que nem ela sabia se estava a administrar placebo ou a vacina.

"A enfermeira tirou-me sangue para encher seis ou oito tubos, perdi a conta. Eles fizeram um teste de gravidez. Insistiam muito em usar anticoncepcionais", conta visto que ainda não é conhecido o efeito da vacina em fetos. 

"A injeção não doeu. Eles levaram-me para uma sala de espera, onde me mantiveram por meia hora para observação. Uma enfermeira cubana usava uma capa vermelha do Super-Homem", descreve.

Leila recebeu depois um conjunto de artigos com adesivos, uma camisola e uma máscara, tudo com o slogan "Covid Warriors (Guerreiros Covid)", e foi-lhe pedido que descarregasse uma aplicação onde teria de relatar regularmente a sua temperatura corporal e sintomas. 

Leila admite que só quando chegou a casa, após a primeira dose, sentiu o local da injeção dorido o que a fez questionar se tinha efetivamente recebido a vacina

A segunda dose foi em setembro. "Doeu muito mais e, por dois dias, o local da injeção ficou inchado e quente", descreve.

A tomada da decisão
A perda do pai para a doença levou Leila a querer fazer de tudo para contribuir para uma solução ppara a pandemia, neste caso, participar nos testes clínicos para a vacina da Moderna foi a forma que arranjou de ajudar.

"Ele morreu sozinho, como pessoas morrem com este vírus", conta a correspondente que, por conta do sua ocupação profissional estava longe da família. Leila enfrentava o desafio de cobrir, jornalisticamente, o aumento de casos em Miami e Florida nos Estados Unidos.

"A ideia de fazer algo ativamente para ajudar a derrotar essa praga me ofereceu um pouco de paz. Discuti isso com amigos e familiares e todos me ajudaram a concluir que, como sou asmático, o perigo de um efeito colateral potencial da vacina não poderia ser maior do que o risco que eu correria se contraísse o coronavírus", revela. 

O facto de ser asmática, e por isso ser doente de risco, foi outro dos factores que levou a mulher a tomar a decisão.
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