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Administração de Biden demite vários funcionários da Voz da América

Funcionários tinham sido escolhidos por Donald Trump.
Lusa 21 de Janeiro de 2021 às 22:15
Joe Biden
Joe Biden
A nova administração dos Estados Unidos da América (EUA) destituiu hoje vários funcionários da Voz da América (VOA) e da agência que supervisiona todas as transmissões internacionais financiadas por aquele país, que tinham sido escolhidos por Donald Trump.

A decisão do democrata Joe Biden surge para responder ao receio de que a Agência dos EUA para a Informação Global esteja a ser transformada num veículo de propaganda pró-Trump.

A Agência dos EUA para a Informação Global escreveu hoje em comunicado que o diretor da VOA [Voice of America], Robert Reilly, foi demitido "poucas semanas de assumir o cargo".

De acordo com a nota, Reilly havia sido bastante criticado na semana passada por rebaixar um correspondente na Casa Branca, depois de ter tentado fazer uma pergunta ao antigo secretário de Estado Mike Pompeo.

Dois funcionários da Agência dos EUA para a Informação Global disseram que Reilly e a sua vice, Elizabeth Robbins, saíram escoltados da sede da VOA por seguranças.

"Os funcionários não foram autorizados a discutir assuntos pessoais e falaram sob condição de anonimato", adiantaram.

Além disso, Jeffrey Shapiro, recentemente nomeado para dirigir as emissoras de rádio e televisão Marti com foco em Cuba, renunciou a pedido do novo governo, acrescentaram.

O diretor executivo da rede radiofónica que divulga internacionalmente as posições dos EUA, que foi escolhido por Donald Trump para o cargo, demitiu-se na quarta-feira, perante uma revolta dos trabalhadores e apelos crescentes para que resignasse.

A demissão de Michael Pack da chefia executiva da Agência dos EUA para a Informação Global ocorreu apenas minutos depois de Joe Biden ter tomado posse como presidente dos EUA. Esta agência dirige a Voice of America e redes associadas.

Pack tinha criado animosidade quando assumiu a direção da organização em 2020 e despediu os diretores de todas as redes sob o seu controlo, bem como os líderes de redes individuais de radiodifusão.

As suas ações foram criticadas como uma ameaça à independência editorial.

Era esperado que Biden fizesse grandes alterações à estrutura e gestão da agência, mas a saída antecipada de Pack assinala que aquelas aconteçam mais cedo do que tarde.

Se bem que muitos nomeados presidenciais resignem quando um novo governo toma posse, Pack não estava obrigado a fazê-lo.

A posição que ocupava foi criada pelo Congresso e o seu exercício não está limitado pela duração de um determinado governo.

A VOA foi fundada durnate a II Guerra Mundial e a sua missão, determinada pelo Congresso, é a divulgação de notícias e informação independente a audiências internacionais.

Pack é um realizador cinematográfico conservador e antigo associado de Steve Bannon, que foi estratega-chefe de Trump.

As decisões de Pack suscitaram receios de transformação do meio em instrumento de propaganda de Trump.

As suas ações não afastaram estes receios. Aliás, na passada terça-feira, apontou uma série de membros conservadores para as administrações das estações Radio Free Asia, Radio Free Europe/Radio Liberty e Middle East Broadcasting Networks.

Só com referência à última semana, Pack recebeu mais críticas depois de um dos seus principais colaboradores ter despromovido uma repórter da VOA na Casa Branca, depois de ter feito uma pergunta ao então secretário de Estado, Mike Pompeo.

JML (RN)//RBF

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