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Adolescentes do Tik Tok e fãs de K-pop "enganaram" Trump e a sua equipa

Foram registados mais de um milhão de pedidos de bilhetes para um evento de campanha do presidente dos EUA, porém, só apareceram menos de 19 mil pessoas.
SÁBADO 22 de Junho de 2020 às 10:04
Donald Trump
Trump
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O presidente dos EUA anunciou com todo o orgulho que mais de um milhão de pedidos de bilhetes tinham sido registados. Estes bilhetes davam entrada no comício organizado por Donald Trump em Tulsa, no Oklahoma. Mas quem assistisse à transmissão deste sábado percebia que o pavilhão onde foi organizado o encontro estava longe de ter espaço para um milhão de pessoas e que os seus 19 mil lugares estavam longe de estarem repletos. Utilizadores da rede social Tik Tok e fãs de K-Pop (género musical da Coreia do Sul) podem ter sido os respinsáveis por ludibriarem Trump e a sua equipa.

Na passada segunda-feira, o diretor da campanha de re-eleição de Trump, Brad Parscale, escreveu no Twitter que tinham recebido mais de um milhão de pedidos de bilhetes e que iam montar inclusivamente uma estrutura para todas as dezenas de milhares de pessoas que não pudessem entrar. A verdade é que no sábado nem o BOK Center, com 19 mil lugares, ficou cheio. Um porta-voz da campanha diz que foram manifestantes que impediram os apoiantes de Trump de chegar ao comício. Mas os jornais mostravam poucos manifestantes na rua. No entanto, utilizadores do Tik Tok e grupos de fãs de K-Pop vieram reclamar a responsabilidade por esta afluência tão reduzida.

Durante os últimos dias, dezenas de vídeos circularam por aquela rede social com mensagens a apelar que as pessoas comprassem bilhetes e não aparecessem. Os vídeos somados tiveram milhões de visualizações. O mesmo aconteceu nos grupos de fãs musicais. Dos primeiros vídeos iniciais surgiram milhares a imitarem. 

Elijah Daniel, um YouTuber de 26 anos, explicou ao jornal norte-americano The New York Times que a campanha ocorreu numa secção específica do Tik Tok onde é comum encontrar partidas e ativismo social e político. "O Twitter K-Pop e o Alt Tik Tok [Tik Tok alternativo] têm uma aliança que ajuda a informação a espalhar-se mais rápido", explicou ao jornal o jovem.

O objetivo era que esta campanha não chegasse à base de apoio de Trump e por isso os vídeos desapareciam ao fim de 24 ou 48 horas. Quando Parscale foi ao Twitter afirmar que "manifestantes radicais" tinham interferido com o público, a congressista na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos por Nova Iorque Alexandria Ocasio-Cortez respondeu de forma injuriosa: "Na verdade foram apenas ENGANADOS por adolescentes no Tik Tok".


Depois da viralidade nestas redes sociais, o protesto passou para o Facebook, Instagram e Snapchat. 

Donald Trump disse aos apoiantes reunidos em Tulsa, no estado de Oklahoma, que a despistagem da doença era "uma faca de dois gumes" e que tinha pedido às autoridades sanitárias para diminuírem o ritmo de despistagem da covid-19 devido ao aumento de casos diagnosticados no país, o mais atingido no mundo pela pandemia. Adversários têm acusado o presidente de irresponsabilidade. Apoiantes dizem que estava apenas a ser irónico.

Seis membros da equipa de campanha de Trump receberam testes positivos para a covid-19 e foram colocados sob quarentena, algumas horas antes do início deste comício. Até aqui bastante poupado, o estado de Oklahoma regista agora um forte aumento de casos.

Os Estados Unidos são o país mais atingido pela covid-19, com mais de 2,2 milhões de casos e quase 120 mil mortos, numa população de 300 milhões de habitantes.

Depois de Oklahoma, Trump tem previstos, nas próximas semanas, comícios na Florida, no Arizona e na Carolina do Norte, todos estados que podem decidir o resultado das eleições presidenciais de 3 de novembro.

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