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Correio da Manhã

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Airbus pode ter-se desintegrado no ar

O Airbus da Air France que desapareceu na madrugada de segunda-feira sobre o Atlântico com 228 pessoas a bordo, quando fazia a rota Rio-Paris, pode ter-se desintegrado ao enfrentar a violenta tempestade tropical, que especialistas afirmam chega a formar uma gigantesca montanha de gelo.
5 de Junho de 2009 às 00:30
Mais de mil pessoas compareceram ontem numa cerimónia religiosa na igreja da Candelária, no Rio de Janeiro
Mais de mil pessoas compareceram ontem numa cerimónia religiosa na igreja da Candelária, no Rio de Janeiro FOTO: António Lacerda/EPA

Fontes da investigação, citadas pelo jornal francês ‘Le Monde’, dão conta de que o Airbus, ao entrar na zona de tempestade, voava em velocidade “não adequada”. Por outro lado, a Força Aérea Brasileira divulgou ainda que, no seu último registo no radar, ao entrar na intempérie o aparelho estava a voar abaixo da altitude previamente estabelecida no plano de voo.

De acordo com especialistas aéreos do Brasil, num caso de tempestade forte o piloto deve tentar subir acima dela, se for possível, e tem de manter uma velocidade de segurança para enfrentar as condições adversas. Se for muito rápido, o aparelho pode sofrer danos graves, desintegrar-se ou cair, se for demasiado lento, pode cair por falta de sustentação de ar sob as asas.

A hipótese de desintegração ganha força com o testemunho de dois pilotos, um da empresa brasileira TAM e o outro da espanhola Air Comet, que relataram ter visto um forte clarão no local e na hora do acidente, perto do qual passavam na madrugada de segunda-feira. O piloto espanhol referiu inclusive que o clarão “era muito intenso e branco e que adoptou uma trajectória descendente vertical, desaparecendo cerca de seis segundos depois.”

ALERTA PARA RISCO DE MERGULHO

As agências norte-americana e europeia de segurança aérea já há meses que tinham alertado os pilotos que usam os Airbus A330 e A340 para adoptarem medidas de segurança adicionais quando tivessem de enfrentar situações de turbulência acentuada. Os aviões destes modelos já entraram em queda livre até em voo sem qualquer turbulência, como ocorreu no ano passado com dois A330 na Austrália.

Na altura os aviões quase caíram quando o piloto automático foi desligado pelo computador central e os comandos, recebendo informações erradas, fizeram os aparelhos subir e descer vertiginosamente antes que os pilotos tivessem conseguido retomar o controlo da situação. Num dos casos, cem passageiros ficaram feridos.

APONTAMENTOS

CANDELÁRIA

No Rio de Janeiro, uma cerimónia ecuménica reuniu ontem mais de mil pessoas na igreja da Candelária, entre familiares e amigos de passageiros do voo 447 e autoridades, entre as quais os ministros dos Negócios Estrangeiros do Brasil, Celso Amorim, e da França, Bernard Kouchner, e o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho.

EMBAIXADOR DÁ FESTA

O embaixador de França em Madrid, Bruno Delaye, deixou chocados o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Paris e as vítimas do avião. No dia em que se celebrou a cerimónia na Catedral de Notre Dame, em Paris, Bruno Delaye organizou um sarau taurino.

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