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Aliados de Bolsonaro fazem passeios de carro contra o isolamento... mas não saem dos carros

Manifestações têm chamado a atenção por contrariarem as orientações de médicos e especialistas do mundo inteiro.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 29 de Março de 2020 às 17:08
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro
Simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro estão a ir às ruas de várias cidades do Brasil exigindo o fim das medidas restritivas decretadas por governadores de estado e autarcas de cidades de norte a sul do país para tentarem diminuir o ritmo do avanço da pandemia de Coronavírus.

As ruidosas manifestações, em que as buzinas são tocadas até à exaustão, têm chamado a atenção por contrariarem as orientações de médicos e especialistas do mundo inteiro e, também, pelo tipo de carros usados e pelo facto de os seus ocupantes não os deixarem um momento sequer.

Apesar de irem para as ruas exigir o fim do isolamento social da população argumentando, como faz Bolsonaro, que o coronavírus é apenas "uma gripezinha que 90% das pessoas infectadas nem vão sentir", os motoristas que participam nesses passeios têm tido o cuidado de não descerem dos seus carros. Monitoramentos da imprensa a essas manifestações, convocadas através de redes sociais ligadas ao Bolsonarismo, têm verificado o cuidado que os motoristas e outros ocupantes dos veículos têm em não sair da protecção dos carros.

Em nenhuma das carreatas que a imprensa acompanhou pelo país os manifestantes ousaram pôr o pé no chão em algum momento. E reforçando ainda mais a idéia de que, apesar de atenderem ao pedido do presidente na verdade não acreditam lá muito que a doença seja só uma "gripezinha", os manifestantes fecham apressadamente as janelas dos seus carros quando alguém, transeunte ou repórter, se aproxima e tenta falar com eles.

As marcas e o preço da maioria dos automóveis utilizados nessas manifestações também chamam a atenção. Com algumas raras excepções, os carros dos manifestantes são de famosas marcas de luxo, custando cada um deles uma pequena (ou nada pequena) fortuna inacessível à grande população brasileira, seja a classe média ou, menos ainda, aos milhões de cidadãos que vivem com o ordenado mínimo brasileiro, actualmente o equivalente a 186 euros mensais. 
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