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Correio da Manhã

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Amigo de eurodeputado apanhado em orgia gay fala de "camarada que adorava ir à Tailândia porque há meninos disponíveis"

Zsolt Bayer, também fundador do Fidesz, abriu portas a novo escândalo no partido.
Pedro Zagacho Gonçalves(pedrogoncalves@cmjornal.pt) 4 de Dezembro de 2020 às 13:33
Eurodeputado húngaro de extrema-direita, József Szájer
József Szájer
József Szájer era eurodeputrado e foi fundador do Fidesz
Eurodeputado húngaro de extrema-direita, József Szájer
József Szájer
József Szájer era eurodeputrado e foi fundador do Fidesz
Eurodeputado húngaro de extrema-direita, József Szájer
József Szájer
József Szájer era eurodeputrado e foi fundador do Fidesz

Após o escândalo sexual que envolve o eurodeputado húngaro (e fundador do partido ultraconservador, Fidesz) József Szájer, que se demitiu após ter sido apanhado pela polícia belga numa orgia gay com 25 homens em Bruxelas, num apartamento, explode outra ‘bomba’ dentro das lides partidárias do Fidesz. Um amigo próximo e colega de partido do político que participou na festa de sexo quebrou o silêncio sobre a polémica e falou de outros casos dentro do Fidesz, referindo um que está a chocar a oposição e a opinião pública na Hungria: a história de um "camarada de armas" que, segundo este, era pedófilo.

Zsolt Bayer, também fundados do partido de extrema-direita húngaro, foi ao programa de televisão Hátterkép, do canal HÍR TV e falou da "tragédia" pessoal de József Szájer.

"O József Szájer é um ser moral. O que é mais doloros e e triste para mim é que agora estão a por em causa todo o seu trabalho, mas também a ética e ideologia do Fidesz (…).O Józsi lutou, não sei desde quando, com estes demónios terríveis, mas mesmo assim apreciou o bom que havia no mundo e representou-o também. É isto que não entra na cabeça das pessoas. Ele não conseguiu sair desta espiral descendente. Acho que é essa a tragédia dele", disse o responsável.

László Bogáran, economista e secretário de Estado no primeiro governo de Orbán, atual primeiro-ministro da Hungria, foi outro dos convidados no programa e teve posição diferente, afirmando que  se deve "fazer o máximo possível para evitar casos como este".

"Não podemos arriscar assim, porque pessoas com uma estrutura deficiente, ainda que possam ter valor e ser úteis, são desestruturadas e isso torna-as frágeis e vulneráveis(…). O risco disto, sobre o József era conhecido de todos há 30 anos. Então porque é que nada foi feito para o minimizar?", acusou o economista.

Zsolt Bayer, amigo do eurodeputado, negou que este fosse consumidor de drogas e atira que a operação foi montada pelos Serviços Secretos belgas. "Eu conheço-o há 30 anos e é preciso perceber que o József nunca tomou drogas na vida dele. Alguém pôs aquela porcaria na mala dele, é preciso ser estúpido para não pôr essa hipótese", defendeu.

A revelação mais chocante foi feita no final da discussão do tema, segundo o 24.hu. "Estou terrivelmente zangado com ele. Pela posição em que se pôs, à família, à filha. Ver esta execução pública dele é duro, mas de minha parte vai ter sempre um prato de comida quente", começou por dizer o político.

Bayer, em seguida, contou uma história de "um camarada de armas antigo que se assumiu como homossexual" e que "adorava ir à Tailândia porque havia meninos menores disponíveis" naquele país. Sem revelar o nome da pessoa em causa, nem o porquê de só agora revelar o escândalo.

O caso já está a criar ‘ondas’ no plano político húngaro. A deputada da oposição Bernardett Szel adiantou que já pediu uma investigação policial ao caso. "Isto é pedofilia e o Bayer sabia disto há 20 anos", afirmou.

Esta não é a primeira alegação de pedofilia nos círculos do Fidesz. Gabór Kaleta foi condenado numa investigação a uma rede de pornografia infantil, mas acabou por não cumprir pena e, segundo uma investigação do HVG360º revelou que um autarca do partido ultraconservador foi acusado pela enteada de abusos sexuais, tendo inclusive sido encontrado câmaras ocultas no quarto da menor.

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