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Antes desprezada, vacina russa contra a Covid-19 agora é favorita no combate à pandemia  

Os países fazem fila para receber a Sputnik V depois dos resultados revistos mostrarem que protege contra o coronavírus tão bem como as vacinas dos EUA e da Europa.
Jornal de Negócios 8 de Fevereiro de 2021 às 20:30
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Antes desprezada, vacina russa contra a Covid-19 agora é favorita no combate à pandemia

Em agosto do ano passado, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou que o país tinha autorizado a utilização da primeira vacina contra a Covid-19 do mundo antes mesmo de concluir os ensaios de segurança, o que gerou ceticismo. Agora, Putin pode colher dividendos diplomáticos à medida que a Rússia comemora o seu maior avanço científico desde a era soviética.

Os países fazem fila para receber a Sputnik V depois dos resultados revistos por pares e publicados na revista médica The Lancet mostrarem que a vacina russa protege contra o coronavírus tão bem como as vacinas dos EUA e da Europa, e com muito mais eficácia do que as rivais chinesas.

Pelo menos 20 países aprovaram a vacina, incluindo a Hungria, membro da União Europeia, enquanto mercados importantes como Brasil e Índia estão perto de autorizar o imunizante. Agora, a Rússia está de olho no mercado da UE, enquanto o bloco enfrenta obstáculos no seu programa de vacinação devido à falta de vacinas.

Na batalha global para derrotar uma pandemia que matou 2,3 milhões de pessoas em pouco mais de um ano, a corrida para obter vacinas assumiu importância geopolítica com governos que tentam superar os enormes danos sociais e económicos causados pelas restrições impostas para limitar a propagação do vírus. Tal dá vantagem à Rússia como um dos poucos países onde os cientistas produziram uma vacina eficaz.

A decisão de chamar a vacina de Sputnik V, nome do primeiro satélite do mundo cujo lançamento em 1957 deu à União Soviética um grande triunfo contra os Estados Unidos para iniciar a corrida ao espaço, destacou a escala da importância que o governo de Moscovo atribuiu ao feito. Os resultados dos ensaios finais com 20 mil participantes revistos na The Lancet mostraram que a vacina tem uma taxa de eficácia de 91,6%.

"Este é um momento decisivo para nós", disse em entrevista Kirill Dmitriev, CEO do fundo soberano russo, (RDIF, na sigla em inglês), que apoiou o desenvolvimento da Sputnik V e é responsável pela implementação internacional.

As restrições de produção são o maior desafio enfrentado por todos os fabricantes, uma vez que a procura global supera em muito a oferta. A Rússia, que prometeu vacinas gratuitas para a população de 146 milhões, iniciou a produção no ano passado e a vacina está a ser fabricada atualmente em países como Índia, Coreia do Sul e Brasil.

Apesar do sucesso da Rússia, a procura doméstica permanece morna até agora, em parte pela desconfiança da população. Putin, de 68 anos, alimentou o ceticismo em dezembro, quando disse que estava à espera que a vacina fosse aprovada para pessoas da sua idade.

Putin ainda não disse se foi vacinado, mas outras nações não querem esperar a resposta. Após anunciar que havia testado positivo à Covid-19, o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador disse a 25 de janeiro que tinha agradecido a Putin por ter prometido 24 milhões de doses da Sputnik V nos próximos dois meses. Três dias depois, o presidente da Bolívia, Luis Arce, recebeu pessoalmente um lote no aeroporto de La Paz.

A aprovação europeia pode levar vários meses devido à necessidade de enviar dados detalhados, disse o editor-chefe da The Lancet, Richard Horton, em entrevista à Bloomberg. "Realmente acho que a vacina russa estará disponível", mas "não rapidamente", afirmou.

Embora a Rússia espere que a vacina esteja disponível para 700 milhões de pessoas neste ano, enfrenta constrangimentos de produção. "Temos que ser realistas. Devido aos nossos outros compromissos, não seremos capazes de fornecer para a Europa antes de maio, exceto para a Hungria", disse Dmitriev, do RDIF.

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