Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
6

Apoiantes de Jair Bolsonaro com máscaras e tochas em manifestação contra Supremo Tribunal Federal

Uso de tochas no acto deste sábado é uma alusão a uma das ameaças mais frequentes feitas através dessas mensagens.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 31 de Maio de 2020 às 18:20
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Lusa

Apoiantes do presidente Jair Bolsonaro usando máscaras e empunhando tochas realizaram na noite deste sábado um acto contra o Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília, a capital federal brasileira.

Os manifestantes pertencem ao grupo ultra-radical de direita auto-intitulado "300 pelo Brasil", acampado naquela cidade há semanas para apoiar Bolsonaro.

Os manifestantes gritaram palavras de ordem contra o STF, que o grupo acusa de estar a tentar derrubar Jair Bolsonaro do cargo limitando ou anulando decretos presidenciais considerados abusivos pelo tribunal. Em coro, foram gritadas também ofensas de cunho pessoal contra vários juízes, principalmente Alexandre de Moraes, que preside a uma investigação que tramita no Supremo Tribunal e investiga movimentos radicais que disparam milhões de mensagens falsas denegrindo adversários de Jair Bolsonaro e fazendo ameaças de morte a magistrados.

O uso de tochas no acto deste sábado é uma alusão a uma das ameaças mais frequentes feitas através dessas mensagens, de que o Supremo Tribunal Federal será incendiado e que os seus juízes serão mortos à queima-roupa.

Foi Alexandre de Moraes que, dias atrás, determinou uma operação da Polícia Federal que vasculhou as casas de vários autores de blogs bolsonaristas e activistas radicais que defendem uma intervenção militar no Brasil para fechar o Congresso e o Supremo Tribunal e perpetuar Jair Bolsonaro no cargo com poderes absolutos.

Um dos alvos dessa acção da Polícia Federal foi Sara Winter, uma ex-activista do grupo feminista Femen que agora milita na direita radical e está ligada a grupos neo-nazis. Sara, que esteve no comando da manifestação deste sábado contra o Supremo Tribunal, já desafiou o juiz Alexandre de Moraes para "trocarem uns socos" e ameaçou publicamente infernizar a vida dele, em Brasília e em São Paulo, onde o magistrado vive.

O "300 pelo Brasil" está acampado perto da sede dos poderes em Brasília e tem estado na base das manifestações que desde Março ocorrem na capital federal todos os domingos defendendo um golpe militar e a que Jair Bolsonaro tem comparecido.

O movimento já foi classificado pelo Ministério Público como uma milícia armada, pois os seus membros costumam exibir armas, e os procuradores pediram à justiça de Brasília que fosse declarado ilegal e expulso da cidade, mas o magistrado que analisou o caso negou esse pedido.
Ver comentários