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Após cesariana de urgência, mãe infetada com coronavírus não se lembra do parto nem da gravidez

Mili foi mãe de gémeas em Barcelona. Depois de 11 dias internada nos cuidados intensivos devido ao novo coronavírus, não se lembra sequer de estar grávida.
SÁBADO 5 de Maio de 2020 às 12:53
Bebé recém-nascido
Bebé recém-nascido

Mili foi mãe de gémeas no hospital Vall d’Hebron, em Barcelona. Depois de 11 dias internada nos cuidados intensivos devido à covid-19, não se lembrava nem do parto nem da gravidez. "Vieram quatro médicos e disseram-me 'sabes que deste à luz?', mas não, não sabia de nada. Não me lembrava de ter estado grávida nem te ter dado à luz", explicou ao El País a mulher de 40 anos.

Quando abriu os olhos, sozinha no quarto, não sabia onde estava. "O único que sentia era que o meu marido não queria ver-me. Perguntava-lhe porque não estava comigo e ele dizia-me que não o deixavam, por causa da covid-19. Mas eu não percebia nada", explicou. 

Só tem memória do passado dia 13 de março, quando o marido chegou de uma viagem. Conversaram, desfizeram a mala e a partir daí não se lembra de mais nada. No dia 27 de março, em pleno pico da pandemia, Mili foi internada. Um dia depois foi transferida para a unidade de cuidados intensivos pediátricos e piorou a cada dia que passava. 

"Estava muito mal, com uma insuficiência respiratória grave, e teve que ser feita uma cesariana na semana 28", contou ao jornal o chefe da unidade neonatal do hospital, Félix Castillo. No dia 29 de março, Ayma e Ayla nasceram com um quilo cada, tendo sido incubadas para sobreviver. 

No dia 8 de abril, a mulher foi transferida dos cuidados intensivos para um quarto, onde foi informada do que se tinha passado nos dias anteriores. Mas não se lembrava de nada. "É o efeito de estar 21 dias sedada, com fármacos muito potentes. Está desorientada e não tem memória recente", explica o médico. 

"É frequente o período de desorientação depois de deixar de estar sedade. Entre 25% a 30% dos pacientes passam por isso e melhoram poucos dias depois. O mais estranho é a amnésia antes do internamento. Encontrámos uma pequena lesão na ressonância magnética que se catalogou como um possível ictus, mas não estou claro que isso possa interferir na memória", disse o responsável da unidade de cuidados intensivos daquele hospital, Joan Balcells.

Mili demorou mais de um mês até poder ver as filhas. As bebés testaram negativo à covid-19 nas quatro amostras que lhes foram retiradas - no dia do nascimento, 24 horas depois, passados cinco dias e mais uma vez passadas duas semanas. 

Tanto a mãe como o pai estão bem e visitam todos os dias as filhas no hospital, ainda nas incubadoras. 

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