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Assassino diz que coronavírus é "vingança de Alá" por perseguição da China a muçulmanos

Novo vírus que causa pneumonias mortais já infetou mais de mil pessoas e provocou a morte a pelo menos 41.
Correio da Manhã 25 de Janeiro de 2020 às 13:11
Moudi Taijour
Ambulância em Wuhan, China
Coronavírus
Moudi Taijour
Ambulância em Wuhan, China
Coronavírus
Moudi Taijour
Ambulância em Wuhan, China
Coronavírus
Um famoso ciclista e assassino condenado utilizou o Instagram - rede social onde se popularizou - para afirmar que o coronavírus, que teve origem na cidade chinesa de Wuhan, é a "vingança de Alá" pela perseguição da China aos muçulmanos.

"A China prendeu mais de um milhão de muçulmanos em campos de detenção. Foi por isso que o Alá criou um vírus que já isolou quatro cidades com uma população superior a 20 milhões de chineses. 'E vocês não sabe o que eles irão fazer'. Alá é incrível, nunca se esqueça disso", escreveu Moudi Taijour, que foi preso em 2006 pelo homicídio do irmão do comediante Fat Pizza George.

O novo vírus que causa pneumonias virais foi detetado na China no final de 2019 e já infetou mais de mil pessoas e provocou a morte a pelo menos 41.

Já foram detetados casos em Macau, Tailândia, Taiwan, Hong Kong, Coreia do Sul, Japão, Estados Unidos, Austrália e França.

Um milhão de uigures presos em campos de detenção na China
Recentemente, dezenas de documentos revelaram pela primeira vez, o funcionamento da gigantesca máquina de repressão e "reeducação" de mais de um milhão de uigures detidos pela China numa vasta rede de prisões de alta segurança na província de Xinjiang.

Divulgados no final de novembro pelo Consórcio Internacional de Jornalistas, os ‘Telegramas da China’ mostraram como nada foi deixado ao acaso, do número de fechaduras nas portas das celas aos critérios necessários para os detidos serem considerados como "reabilitados".

Datados de 2017, os documentos são assinados por Zhu Hailun, vice-secretário do Partido Comunista em Xinjiang e responsável máximo pela segurança na província que desde 2014 é palco de uma campanha massiva de repressão contra os membros da minoria islâmica que Pequim considera como "terrorista e extremista".

O foco principal dessa campanha são os campos de detenção - para a China, Centros de Educação e Formação Vocacional - que desde 2017 foram erguidos às centenas na província e que hoje em dia albergam mais de um milhão de prisioneiros - ou "estudantes", para Pequim. O objetivo dos campos é a "transformação ideológica" ou, como afirmam várias ONG, a "lavagem ao cérebro" dos detidos.

Neles, os reclusos são sujeitos a práticas de doutrinação forçada pelo período mínimo de um ano, incluindo a aprendizagem obrigatória do mandarim, direito e propaganda comunista. Os contactos com o exterior são rigorosamente controlados - um telefonema por semana para a família e uma videochamada mensal é tudo a que têm direito, e mesmo estes podem ser suspensos como castigo.

Vigiados por câmaras 24 horas por dia, os detidos seguem uma rotina predeterminada que inclui lugares fixos até na fila para o almoço. "Não serão permitidas fugas", avisa o ‘manual’ de gestão das prisões, que encoraja a "promoção do arrependimento e da confissão" como forma de reabilitação.

A China diz que os documentos não passam de uma invenção. "Xinjiang é uma região bonita, pacífica e próspera", garantiu a embaixada chinesa no Reino Unido ao ‘The Guardian’.
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