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Azerbaijão condena investida e Arménia responde com mobilização militar

Conflito na região separatista de Nagorno-Karabakh faz pelo menos 23 mortos e sete civis feridos.
Lusa 27 de Setembro de 2020 às 13:55
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Conflito na região separatista de Nagorno-Karabakh faz pelo menos 23 mortos e sete civis feridos.
O Azerbaijão condenou este sábado "veementemente" a investida militar arménia na fronteira entre os dois países, na região separatista de Nagorno-Karabakh, que terá causado mortos, enquanto a Arménia apelou à "mobilização geral" após a eclosão do conflito.

Numa declaração publicada na rede social Twitter, o conselheiro do Presidente do Azerbaijão, Hikmet Hajiyev, sublinha que o país "condena veementemente o novo ato de agressão da Arménia".

Acusando as forças armadas da Arménia de terem "violado hoje o cessar-fogo" entre os dois países, Hikmet Hajiyev fala num "bombardeamento [que afetou] áreas densamente povoadas por civis".

Azerbaijão reivindica e Arménia nega tomada de seis localidades
O Azerbaijão reivindicou ter conquistado hoje seis localidades controladas pela Arménia durante os confrontos na linha da frente da região separatista de Nagorno-Karabakh, informação desmentida pelas autoridades arménias.

"Libertámos seis localidades, cinco no distrito de Fizlouli, e uma no de Jebrail", disse à agência noticiosa France-Presse (AFP) um porta-voz do Ministério da Defesa azeri.

No entanto, segundo a agência de notícias russa Interfax, a Arménia desmentiu as reivindicações azeris.

Turquia garante "apoio total" ao Azerbaijão
O Governo turco prometeu o "apoio total" da Turquia ao Azerbaijão no conflito armado com a Arménia, desencadeado hoje de madrugada na zona de Nagorno-Karabakh, território separatista de população arménia em solo azeri.

Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco responsabilizou a Arménia pela violação do acordo de cessar-fogo entre os dois países vizinhos, assinado em 1994, frequentemente alvo de incumprimento, embora os confrontos de hoje sejam os mais graves em décadas.

"Condenamos fortemente o ataque arménio, uma violação evidente do direito internacional que leva à morte de civis. Com esta agressão, a Arménia mostra uma vez mais que é o maior obstáculo à paz e estabilidade na zona", lê-se na nota governamental.

UE e França apelam ao fim das hostilidades e ao diálogo
A União Europeia (UE) e a França apelaram à cessação das hostilidades entre o Azerbaijão e a Arménia no enclave de Nagorno-Karabakh, pedindo às partes se se sentem à mesa negocial.

Em Bruxelas, e através do Twitter, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, manifestou-se preocupado com as "informações sobre as hostilidades" em Nagorno-Karabakh, que considera "fonte das mais graves inquietações".

"A ação militar deve cessar imediatamente, para impedir qualquer escalada [da violência] A única via possível é um regresso imediato às negociações, sem quaisquer pré-condições", frisou.

Azerbaijão declara lei marcial e recolher obrigatório

O Azerbaijão declarou a lei marcial no país, bem como o recolher obrigatório na capital, Baku, e em várias outras cidades importantes, após a escalada de violência entre separatistas de Nagorno-Karabakh apoiados pela Arménia e as forças azeris.

"A lei marcial será introduzida a partir da meia-noite, bem como o recolher obrigatório das 21:00 as 18:00 do dia seguinte", em Baku e noutras cidades importantes do pais, bem como em áreas próximas da linha de frente de Karabakh, afirmou o porta-voz da presidência do Azerbaijão, Hikmet Hajiyev.

Nagorny-Karabakh é uma região separatista do Azerbaijão, povoada principalmente por arménios e apoiada pela Arménia.

Combates fazem pelo menos 23 mortos e sete civis feridos

Os combates em Nagorno-Karabakh, fizeram pelo menos 23 mortos, incluindo sete civis, de acordo com informações de ambas as partes.

Este é o número mais "negro" desde 2016 como resultado deste conflito que já dura há mais de 30 anos.

As autoridades do território anunciaram a morte de 16 soldados separatistas, além de uma mãe e um filho, enquanto o Azerbaijão, não quis revelar o número de baixas militares, mas anunciou a morte de cinco civis.

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