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Bélgica investiga papel de empresa ferroviária no transporte de judeus para Auschwitz

CegeSoma já havia concluído que algumas autoridades belgas colaboravam com os nazis na perseguição aos judeus.
Lusa 27 de Janeiro de 2022 às 23:11
Campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, Polónia
Campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, Polónia FOTO: Getty Images
A Bélgica vai investigar o papel da empresa estatal de comboios no transporte de mais de 25 mil judeus do país, então ocupado pela Alemanha Nazi, para o campo de concentração de Auschwitz (Polónia), durante o período da Segunda Guerra Mundial.

De acordo com o jornal belga Le Soir, o estudo será realizado a pedido do Senado, que pediu uma análise profunda ao Centro de Estudos de Guerra e Sociedade (CegeSoma), órgão historiográfico criado para pesquisar os efeitos da Segunda Guerra Mundial na Bélgica.

Em 2007, o CegeSoma já havia concluído que algumas autoridades belgas da altura colaboravam ativamente com os nazis na perseguição aos judeus e, agora, deve clarificar o papel da empresa ferroviária estatal, Sociedade Nacional de Ferrovias Belgas (SNCB, na sigla belga), durante a deslocação de judeus para Auschwitz.

O Le Soir explica que, durante a ocupação alemã, foram preparados cerca de 28 comboios com destino a Auschwitz desde a cidade belga de Mechelen, no norte do país, e que transportaram um total de 25.257 judeus e 351 ciganos, dos quais apenas sobreviveram 5%.

Atualmente, faltam documentos e arquivos da época para esclarecer se os comboios foram organizados com técnicos e equipamento belgas, embora o mais certo é que as deportações foram planeadas por ordem das autoridades de transporte alemãs, vinculadas ao Exército Nazi.

É o que afirma o diretor do CegeSoma, o historiador Nico Wouters, que agora chefia o órgão encarregado de realizar a investigação sobre o assunto, que admitiu tratar-se de uma tarefa "desafiante" face à falta de provas.

"Há uma verdadeira incógnita. Muitos dos arquivos podem ter desaparecido ou estar fragmentados. Pela primeira vez, um investigador vai ter vários meses para aprofundar mais", disse o historiador.

O estudo vai durar até 2023 e, a pedido de Wouters, servirá também para investigar presos políticos belgas que foram transportados para Leste da Europa pelos nazis.

Nico Wouters insistiu que a ideia da investigação "não é minimizar o destino reservado às vítimas judias", mas dar "uma oportunidade para cruzar informação" com o objetivo de encontrar o máximo de arquivos possíveis.

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