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Correio da Manhã

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Bolsonaro ameaça infringir lei eleitoral nas eleições presidenciais no Brasil

Presidente contesta o acordo entre a Justiça Eleitoral e plataformas como o WhatsApp para travar disseminação de ‘fake news’.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 17 de Abril de 2022 às 09:52
Bolsonaro
Bolsonaro FOTO: ADRIANO MACHADO/Reuters
Mantendo o tom radical que voltou a adotar semanas atrás e num novo desafio à Justiça Eleitoral, Jair Bolsonaro afirmou, em discurso em Americana, no interior do estado de São Paulo, que na campanha para as Presidenciais de outubro não cumprirá as regras decretadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E fez questão de realçar o acordo feito entre o TSE e o WhatsApp para impedir o disparo em massa de milhões de mensagens, numa tentativa de reduzir a difusão de ‘fake news’.

“Esse acordo entre o TSE e o WhatsApp é inaceitável. É censura e discriminação e nós não vamos cumprir”, afirmou o Presidente.

O acordo entre o WhatsApp, que está presente em cerca de 99% dos smartphones no Brasil, e o TSE prevê que a nova funcionalidade anunciada pela plataforma, a criação de grupos com milhares de membros e não com apenas os 250 permitidos atualmente, só entre em vigor após as Presidenciais. A ideia é evitar o que aconteceu nas Presidenciais de 2018, nas quais Bolsonaro surpreendeu e foi eleito, graças a um gigantesco aparato de disparo de milhões de mensagens por robôs com informações sobre a sua campanha e com notícias falsas sobre adversários, prática considerada decisiva.

Sem esse recurso, a campanha de Jair Bolsonaro é bastante atingida, por isso tem feito de tudo para minar esse acordo, mas a lei não dá ao Presidente poderes para contrariar decisões do TSE.
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