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Correio da Manhã

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Bolsonaro ameaça usar "pólvora" contra os EUA e embaixador norte-americano responde

Presidente do Brasil admite usar força militar contra futuro executivo de Joe Biden, se este tomar atitude mais firme sobre a Amazónia.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 11 de Novembro de 2020 às 17:21
Bolsonaro arrisca ser multado
Bolsonaro arrisca ser multado FOTO: ueslei marcelino/reuters

Numa declaração que deixou perplexos até aqueles que já se habituaram aos excessos de Jair Bolsonaro e que pode transformar-se numa grave crise diplomática, o presidente brasileiro ameaçou os Estados Unidos com o uso de "pólvora", ou seja, da força militar, contra o futuro governo norte-americano comandado por Joe Biden, se este tomar alguma atitude mais firme sobre a Amazónia. Em resposta clara e imediata à ameaça de Bolsonaro, o embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, divulgou uma mensagem enaltecendo a força dos famosos fuzileiros navais, as primeiras tropas militares que aquele país usa em incursões fora do seu território.

"Assistimos a um candidato à chefia de um grande estado (Joe Biden, que Bolsonaro preferiu não citar nominalmente) dizer que, se eu não apagar o fogo na Amazónia, ele vai levantar barreiras comerciais contra o Brasil. Apenas na diplomacia não dá. Quando acaba a saliva, tem de se usar pólvora."-Declarou Jair Bolsonaro durante um encontro com empresários, que ficaram estupefactos com a ameaça do presidente à nação mais poderosa do mundo e aliada do Brasil desde sempre.

Bolsonaro, que apoiou publicamente a frustrada candidatura de Donald Trump à reeleição e é um dos poucos governantes do mundo que endossa as denúncias de Trump de que houve fraude nas presidenciais da passada terça-feira, que deram a vitória a Biden, referia-se a declarações feitas por este durante a campanha sobre a Amazónia. Fortemente crítico da política ambiental de Bolsonaro, Biden afirmou num debate na televisão que, se fosse eleito usaria o seu poder e influência para reunir 20 mil milhões de dólares para ajudar a preservar a Amazónia, e ameaçou que, se apesar dessa ajuda Bolsonaro não agisse para impedir a invasão maciça da floresta e a sua desflorestação, imporia significativas barreiras comerciais ao Brasil.

A ameaça de Bolsonaro de usar as forças militares para se opor a uma eventual ação dos EUA irritou profundamente os altos comandos das Forças Armadas Brasileiras, que se viram alvo de piada nos meios políticos e nas redes sociais, pois o Brasil tem uma capacidade de resposta militar praticamente nula, com equipamentos obsoletos e escassos e tropas mal treinadas. Talvez por isso, e numa resposta claramente direcionada a Bolsonaro sem no entanto o citar, o embaixador dos EUA realçou a capacidade ofensiva do Corpo de Fuzileiros Navais do seu país, que já estão em território brasileiro em número considerável para protegerem representações diplomáticas e outros interesses dos Estados Unidos.

Num vídeo publicado na Internet em que as imagens mostram Fuzileiros Navais dos EUA perfilados aos pés do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e marchando na Esplanada dos Ministérios, centro do poder em Brasília, em cerimónias diversas, Todd Chapman dá os parabéns a esse corpo militar pela passagem dos seus 245 anos. E destaca, numa mensagem que acompanha o vídeo, que os fuzileiros norte-americanos são o maior e mais respeitado corpo militar desse tipo no mundo, sempre pronto e preparado para agir em qualquer lugar do planeta seja por ar, por terra ou por mar.

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