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Bolsonaro diz que aceita ajuda da G7 se Macron lhe pedir desculpa

Rivalidades entre os dois Chefes de Estado transformou-se numa grave crise diplomática entre a França e o Brasil.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 27 de Agosto de 2019 às 15:41
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Rivalidades entre os dois Chefes de Estado transformou-se numa grave crise diplomática entre a França e o Brasil.

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou na manhã desta terça-feira, ao deixar a residência oficial, em Brasília, que só repensará a possibilidade de aceitar a ajuda financeira oferecida pelo G7 para combater fogos na Amazónia se, primeiro, o presidente da França, Emmanuel Macron, lhe pedir desculpa.

"O senhor Macron deve retirar os insultos que fez à minha pessoa. Primeiro, chamou-me de mentiroso. E depois, informações que eu tive, de que a nossa soberania está em aberto na Amazónia", disse Jair Bolsonaro aos jornalistas que o esperavam à saída do Palácio da Alvorada.

O presidente brasileiro acrescentou ainda que: "Para conversar ou aceitar qualquer coisa da França, nem que seja das melhores intenções possíveis, ele (presidente francês) vai ter que retirar essas palavras, depois podemos conversar.

Perante a insistência dos jornalistas em perguntar se, com um eventual pedido de desculpas de Macron o Brasil aceitará a ajuda internacional Bolsonaro respondeu: "Primeiro ele retira, depois oferece e aí conversamos."

A relação entre Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron transformou-se numa grave crise diplomática entre o Brasil e a França nos últimos dias, com o presidente francês e o brasileiro a trocar ofensas pessoais constantemente. 

Macron acusou Bolsonaro de ter mentido na cimeira do G20, realizada há semanas em Osaka. O presidente francês afirma que Bolsonaro garantiu o total respeito pelo Ambiente e, principalmente pela defesa da Amazónia, mas na verdade pretendia apenas conseguir que a União Europeia aceitasse o acordo de livre comércio com o Mercosul (mercado comum de países da América do Sul) e depois nada fazer para impedir os ataques sem precedentes à floresta.

Bolsonaro, que continua a negar a existência de uma brutal destruição da Amazónia confirmada por diversas fontes brasileiras e internacionais, respondeu a Macron ao partilhar no Twitter fotos da sua mulher, Michelle Bolsonaro, 27 anos mais nova que o presidente brasileiro e da esposa de Emmanuel Macron, Brigitte Macron, 24 anos mais velha do que o Chefe de Estado francês. Ionizando a diferença de idades, insinuando que a 'raiva' que Macron sente por ele é tudo porque o presidente não tem uma mulher "jovem e bonita" como Michelle.

Recorde-se que esta manhã, o ministro-chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, avançou que o Brasil não aceitava a oferta de aproximadamente 20 milhões de euros feita esta segunda-feira no final da cimeira do G7 - composta pelo bloco dos sete países mais industrializados do mundo - reunida em Biarritz, França.
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