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Bolsonaro diz que governantes estão a espalhar o terror para ganharem politicamente com o coronavírus

Governadores de São Paulo, do Rio de Janeiro e de dezenas de autarquias por todo o país decretaram medidas de quarentena.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 22 de Março de 2020 às 17:40
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Reuters

Na contramão dos esforços de governantes de todo o mundo e de governadores e autarcas brasileiros que têm adotado medidas restritivas para tentarem combater o avanço da pandemia de Coronavírus, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, reafirmou a sua polémica posição de negar a gravidade da doença e chamou "lunáticos" a governadores de estados do Brasil que decretaram quarentena nos seus territórios. Em entrevista à CNN Brasil este sábado à noite, Bolsonaro disse que esses governadores estão a espalhar "o terror" para obterem dividendos políticos e crescerem eleitoralmente.

"Eles estão a fazer um clima de terror, e isso leva à depressão da população. O João Dória (governador do estado de São Paulo), por exemplo, é um lunático. Ele e outros governadores estão a fazer política, estão a aproveitar-se desse momento para tentar crescer politicamente. Medidas que esses governadores têm tomado estão a extrapolar", afirmou Bolsonaro, aludindo à quarentena decretada pelos governadores de São Paulo, João Dória, e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e por dezenas de autarcas de cidades por todo o país.

Questionado sobre se mantinha a afirmação, feita numa conferência de imprensa sexta-feira de que o coronavírus é só "uma gripezinha", Bolsonaro confirmou a sua posição e acentuou ainda a pouca importância que dá à pandemia que em apenas cinco dias matou 18 pessoas no Brasil. Segundo o mesmo, para a grande maioria dos brasileiros, o coronavírus "será menos do que uma gripezinha", confirmou, acrescentando, "será nada".

Na entrevista, o presidente brasileiro confirmou rumores de que teria chamado vivamente a atenção do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que inicialmente tomou atitudes técnicas elogiadas por todos no combate ao coronavírus, mas que nos últimos dias adoptou um tom mais político, citando o tempo inteiro a liderança de Bolsonaro. O chefe de Estado confirmou que conversou com Mandetta para moderar o tom alarmista pois, avaliou, o ministro estava a "exagerar" nos alertas à população e nas medidas restritivas, muitas das quais o presidente considera desnecessárias.

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