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Bolsonaro diz que não cumprirá regras da justiça eleitoral na campanha para as presidenciais

Sem a possibilidade de disparar de uma só vez milhões de mensagens, a campanha de Bolsonaro é bastante atingida.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 16 de Abril de 2022 às 19:11
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Reuters

Mantendo o tom radical que voltou a adotar semanas atrás e num novo desafio à justiça eleitoral, Jair Bolsonaro afirmou em discurso inflamado em Americana, no interior do estado de São Paulo, que na campanha para as presidenciais de Outubro não cumprirá as regras decretadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Principalmente, fez questão de realçar, o acordo feito entre o TSE e o Whatsapp para impedir o disparo em massa de milhões de mensagens, numa tentativa de reduzir a difusão de 'fake news'.

"Adianto uma coisa para vocês: esse acordo entre o TSE e o Whatsapp é simplesmente algo inaceitável, inadmissível e inconcebível. Isso é cerceamento, censura e discriminação, e nós não vamos cumprir. Ninguém tira o direito de vocês", Disparou aos gritos o presidente Jair Bolsonaro, num claro desafio à instância máxima da justiça eleitoral no Brasil.

O acordo entre o Whatsapp, que está presente em cerca de 99% dos smartphones no Brasil, e o Tribunal Superior Eleitoral, prevê que a nova funcionalidade anunciada por aquela plataforma, a criação de grupos ou comunidades com milhares de membros e não com apenas os 250 permitidos actualmente, só entre em vigor no Brasil depois das presidenciais de Outubro. A ideia é evitar que se repita o que aconteceu nas presidenciais de 2018, nas quais Jair Bolsonaro surpreendeu tudo e todos e foi eleito, quando ele montou um gigantesco aparato de disparo de milhões de mensagens por robôs com informações sobre a campanha dele e com notícias falsas sobre adversários, prática que foi considerada decisiva para o resultado das eleições.

Sem a possibilidade de disparar de uma só vez milhões de mensagens, a campanha de Bolsonaro é bastante atingida, por isso ele tem feito de tudo para tentar minar esse acordo, não se sabe no entanto como, pois o presidente da República não pode interferir em decisões da justiça eleitoral. A saída com que Jair Bolsonaro esperava contar para minimizar os efeitos do acordo entre o TSE e o Whatsapp, usar outra rede social, o Telegram, também está em risco, pois a plataforma, ameaçada de ser proibida no Brasil, acabou por ceder e fazer também um acordo com a justiça eleitoral contra as 'fake' news.
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