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Bolsonaro diz-se perseguido pela Globo e aponta supostas ligações a 'doleiro'

Presidente brasileiro usou as redes sociais para denunciar supostas ligações entre grupo de 'media' e Darío Messer.
Lusa 24 de Agosto de 2020 às 18:37
Jair Bolsonaro pré-Covid19
Jair Bolsonaro pré-Covid19
O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que no domingo ameaçou um jornalista após ser questionado sobre depósitos não justificados na conta bancária da sua mulher, afirmou hoje ser perseguido pela Globo.

O Presidente brasileiro usou as redes sociais para denunciar supostas ligações do Grupo Globo, o maior grupo de 'media' do Brasil, com um 'doleiro' - designação dada a quem efetua câmbios de moeda em mercados paralelos - preso e condenado no âmbito da Operação Lava Jato.

"O sistema Globo está-me perseguindo há pelo menos 10 anos sem provar nada", escreveu Bolsonaro na sua conta na rede social Twitter, acrescentando que aguarda "explicações da família Marinho" (dona da Rede Globo) sobre denúncias do 'doleiro' Darío Messer, condenado a 13 anos de prisão na semana passada por evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Bolsonaro referia-se a uma reportagem publicada pela revista Veja sobre um acordo de colaboração judicial firmado por Messer, ainda mantido em sigilo judicial, no qual o detido terá dito que realizou operações irregulares de câmbio para a família Marinho.

No entanto, a própria Veja esclareceu que, de acordo com as informações que obteve, Messer não apresentou qualquer prova de um suposto negócio com os donos da Rede Globo. Estes negaram veementemente, através das suas redes de comunicação, qualquer relação com o 'doleiro'.

Bolsonaro 'atacou' a Globo um dia depois de se irritar publicamente com um repórter daquele grupo que lhe perguntou sobre um escândalo que envolve a sua mulher, Michelle Bolsonaro.

"A vontade que tenho é de encher a sua boca de porrada", disse Bolsonaro ao jornalista durante uma visita a uma pequena feira de artesanato em frente à Catedral de Brasília.

De acordo com denúncias publicadas nos últimos dias por diferentes meios de comunicação social do Brasil, um ex-assessor da família Bolsonaro chamado Fabrício Queiroz fez entre 2011 e 2016 cerca de 20 depósitos na conta de Michelle Bolsonaro no valor total de 89 mil reais (cerca de 13,3 mil euros).

Queiroz está atualmente detido em casa no âmbito de uma investigação que também envolve o filho mais velho do Presidente brasileiro, Flávio Bolsonaro, acusado de desvio de recursos públicos quando exercia o mandato de deputado estadual do Rio de Janeiro.

De acordo com as denúncias, Flávio Bolsonaro exigiu que os seus assessores na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro lhe dessem uma parte dos seus salários, o que é ilegal, cabendo a Queiroz arrecadar o dinheiro e depositá-lo nas contas da família Bolsonaro.

Nas redes sociais, uma mensagem rapidamente se tornou viral repetindo a pergunta a que o Presidente não respondeu: "Presidente @jairbolsonaro: por que sua esposa, Michelle, recebeu 89 mil reais de Fabrício Queiroz?"

Os ataques de Bolsonaro à imprensa são recorrentes desde que assumiu o poder, em janeiro de 2019, e têm como alvo, em particular, o Grupo Globo.

O governante chegou a ameaçar não renovar a concessão do sinal de televisão do grupo quando expirar, em 2022.

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