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Bolsonaro equacionou golpe contra o Supremo

Presidente e os seus principais ministros discutiram em maio uma possível intervenção militar para afastar juízes críticos.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 7 de Agosto de 2020 às 09:36
Bolsonaro discutiu com ministros a tomada do Supremo Tribunal por militares armados, para acabar com a ingerência dos juízes no trabalho do governo
Bolsonaro discutiu com ministros a tomada do Supremo Tribunal por militares armados, para acabar com a ingerência dos juízes no trabalho do governo FOTO: Reuters
Opresidente brasileiro Jair Bolsonaro equacionou em maio desencadear um golpe militar para destituir os juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) e substituí-los por outros mais alinhados com a sua política ultraconservadora. A revelação é avançada pela revista ‘Piauí’, ligada ao grupo do jornal ‘Folha de S. Paulo’, que cita fontes ligadas ao governo.

Segundo a revista, a reunião decorreu a 22 de maio no gabinete presidencial e juntou inicialmente, além de Bolsonaro, os generais Walter Braga Neto, ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, e Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional. Mais tarde, juntaram-se ao grupo os ministros da Defesa, Justiça e Advocacia-Geral.

Entre gritos, ofensas e palavrões, Bolsonaro terá vociferado várias vezes “vou intervir!”, referindo-se ao STF, que ele acusava de boicotar o seu governo, por anular ou limitar decretos considerados abusivos. Ao longo de muitas horas, a reunião discutiu detalhes da intervenção militar, que deveria invadir e ocupar a sede do Supremo Tribunal, destituindo sumariamente todos os juízes. Para reduzir a vaga de repúdio internacional, a intervenção seria apresentada como uma ação jurídico-militar ao abrigo do artigo 142 da Constituição, que diz que as Forças Armadas têm a missão de garantir a harmonia entre poderes.

O golpe acabou por não avançar devido à divisão entre os generais, que temiam as consequências de pôr as tropas na rua. Foi decidido então divulgar uma dura mensagem à Nação, o que realmente foi feito um dia depois, assinada pelo general Augusto Heleno e endossada pelo ministro da Defesa, em que se faziam claras ameaças de golpe militar caso continuassem o que classificavam como “ingerências inaceitáveis” nas decisões do governo.

pormenores

Generais negam
O general Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa, supostamente um dos presentes na reunião em que foi discutida a intervenção armada, considerou a reportagem como “fantasiosa”. Outro general citado na notícia, Walter Braga Neto, ministro da Casa Civil, classificou o texto como “fantasia sobre factos inexistentes”.

Audição no Congresso

O oposição exigiu esta quinta-feira a chamada ao Congresso de todos os ministros citados na reportagem para prestarem esclarecimentos sobre o que foi discutido na reunião com Bolsonaro.
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