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Bolsonaro festeja "finalzinho" da pandemia numa altura em que as infeções e mortes por Covid-19 disparam no Brasil

Brasil é o segundo país do mundo com maior número de mortes por Covid-19 e o terceiro com maior número de infetados.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 10 de Dezembro de 2020 às 16:06
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Direitos Reservados

Numa nova declaração totalmente alheada da realidade e da gravidade do coronavírus, que no Brasil deve atingir nas próximas horas a marca de 180 mil pessoas mortas pela Covid-19, o presidente do país, Jair Bolsonaro, festejou esta quinta-feira o que ele chamou de "finalzinho" da pandemia. E, auto-elogiando-se, como costuma fazer, afirmou que as medidas que diz ter tomado contra a doença são um exemplo para o resto do mundo.

"Permitam-me falar um pouco do governo, já que estamos a viver o finalzinho da pandemia (de coronavírus). O nosso governo, levando-se em consideração outros países do mundo, foi o que melhor se saiu, ou um dos que melhores se saíram na pandemia", disse Jair Bolsonaro no discurso de inauguração do eixo central da nova ponte sobre o Rio Guaíba, em Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, que visita esta quinta-feira e onde o coronavírus avança sem controlo.

Bolsonaro, negacionista ferrenho da gravidade e, nalguns momentos, até da existência da pandemia do coronavírus, fez a declaração no mesmo dia em que o Brasil atingiu um dos momentos mais graves da crise da Covid-19. Dados divulgados horas antes desta absurda declaração do chefe de Estado mostraram que, dos 27 estados do Brasil, 22 enfrentam esta quinta-feira um recorde no número de contágios e de mortes pelo coronavírus, o número mais elevado de regiões com recorde desde o início da crise no país, em fevereiro passado.

"Devemos levar tranquilidade e não o caos à população. O que aconteceu no início da pandemia (os relatos na imprensa e os alertas de médicos e cientistas) não leva a nada. Lamentamos as mortes profundamente e assim sendo vamos vencendo obstáculos", acrescentou Bolsonaro, reforçando a sua ideia de que tudo está bem e que ele é um exemplo de serenidade e de acerto no combate à pandemia no mundo, enquanto outros líderes fazem o que ele chama de "sensacionalismo" e "histeria" em relação à Covid-19.

O Brasil é o segundo país do mundo com maior número de mortes por Covid-19, só perdendo para os EUA, e o terceiro em número de infetados, apenas atrás dos EUA e da Índia. Números divulgados ao amanhecer desta quinta-feira pelo consórcio de imprensa formado em julho para acompanhar a propagação da pandemia, já que os dados do governo não são confiáveis, mostravam que o Brasil tinha chegado às 179.038 vítimas fatais da Covid-19, e atingido 6.7 milhões de pessoas infetadas.

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