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"Bolsonaro não tem equilíbrio mental para governar", afirma ex-braço direito do presidente

Gustavo Bebianno foi considerado um dos maiores responsáveis pela eleição de Bolsonaro.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 21 de Dezembro de 2019 às 15:51
jair bolsonaro
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"O presidente Jair Bolsonaro não tem equilíbrio mental para governar o Brasil, está a colocar em risco a democracia e pode até levar o país a uma guerra com algum país vizinho." A opinião, forte mas partilhada por um número cada vez maior de pessoas, foi manifestada esta sexta-feira por Gustavo Bebianno, antes considerado  um dos maiores responsáveis pela eleição de Jair Bolsonaro e seu braço-direito mas que foi demitido de ministro da Secretaria-Geral da Presidência apenas 45 dias depois de nomeado, e a quem o presidente agora considera inimigo.

Bebianno fez a afirmação numa entrevista à Rádio Jovem Pan, durante a qual fez duras críticas ao chefe de Estado, de quem já foi o principal aliado. Ao lançar-se candidato à presidência do Brasil, Jair Bolsonaro exigiu que Gustavo Bebianno fosse nomeado presidente interino do Partido Social Liberal, PSL, pelo qual concorreu, para que pudesse conduzir a campanha dele com plenos poderes, e depois de eleito não poupou elogios ao então aliado, a quem disse dever a sua eleição, mas demitiu-o sumariamente pouco depois de Bebianno criticar um dos filhos, o polémico Carlos Bolsonaro.

Na entrevista, Bebianno afirmou que as atitudes destemperadas de Jair Bolsonaro e as sucessivas crises políticas que ele e os filhos dele criam, até com aliados de primeira hora, com o Congresso e com a justiça, estão a pôr a democracia brasileira em risco. E que a falta de noção diplomática do presidente, que já atacou violentamente os seus homólogos da Venezuela, Bolívia e o recém-empossado presidente da Argentina, podem levar o Brasil a um conflito internacional.

"Alguém que atua assim, até publicamente, pode facilmente atirar-nos para uma guerra, por exemplo", afirmou Bebianno durante a entrevista. Adepto fervoroso de teorias de conspiração, Bolsonaro chegou a dizer dias antes que Bebianno, a quem antes tanto elogiava, poderia estar ligado ao atentado que quase o matou durante um ato da campanha na cidade de Juiz de Fora a 6 de setembro de 2018.

Horas antes da entrevista de Gustavo Bebianno, Jair Bolsonaro envolveu-se em outro grave incidente, ao mostrar-se totalmente descontrolado durante uma conversa com jornalistas, a quem ofendeu e, aos gritos, mandou calar várias vezes. Ainda mais irritado quando um repórter o questionou sobre acusações de corrupção que impendem sobre outro filho, o senador Flávio Bolsonaro, o presidente brasileiro disparou furioso que o jornalista tinha uma cara de homossexual terrível.

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