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Correio da Manhã

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Bolsonaro vai exigir termo de responsabilidade a quem queira vacinar-se contra a Covid-19 no Brasil

Médicos, cientistas e outros especialistas na área da Saúde ficaram perplexos e indignados com a exigência do presidente.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 15 de Dezembro de 2020 às 13:35
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil FOTO: Getty Images

Os brasileiros que quiserem vacinar-se contra a Covid-19 só poderão fazê-lo depois de assinarem um termo, responsabilizando-se por esse ato e por qualquer efeito colateral da vacina que recebam. A exigência foi decretada e anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro, num novo ataque à vacinação no país e, principalmente, à vacina Coronavac, a única que já está a ser produzida no Brasil, mas sob tutela do governador de São Paulo, João Doria, seu adversário político.

"Devo assinar esta terça-feira um decreto disponibilizando milhões para a vacina, mas com um detalhe: vocês vão ter de assinar um termo de responsabilidade. Tem gente que quer tomar (a vacina), então tome. A responsabilidade é sua. Quer tomar, toma, mas se der algum problema por aí... Espero que não dê", disse Jair Bolsonaro no final desta segunda-feira ao falar com apoiantes sobre as crescentes probabilidades de a população brasileira, ou, ao menos, de alguns estados, como São Paulo, poder ser vacinada contra o Coronavírus já no início de 2021.

No Plano Nacional de Vacinação que o governo foi obrigado a apresentar ao Supremo Tribunal Federal na passada sexta-feira, o Ministério da Saúde não indicou uma data provável para o início da imunização a nível nacional, até porque a vacina escolhida pessoalmente por Jair Bolsonaro, a que está a ser desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica Astrazeneca, enfrentou graves problemas na sua fase de testes e não se sabe quando nem se vai ser aprovada internacionalmente. Em contrapartida, a Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo, já está em fase de produção na capital paulista, mas nem consta no plano do governo central entregue ao Supremo Tribunal porque Jair Bolsonaro não quer que, João Doria, seu mais provável adversário nas presidenciais de 2022, ganhe esse trunfo.

Médicos, cientistas e outros especialistas na área da Saúde ficaram perplexos e indignados com a exigência do presidente em que todos os que queiram ser imunizados tenham de assinar um termo de responsabilidade. Até porque qualquer vacina que venha a ser utilizada no Brasil tem de passar primeiro pela análise e aprovação da Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, um órgão do governo central, e, sendo aprovada, dispensa qualquer outra burocracia.

Esses especialistas ponderam que a exigência do termo por parte de Bolsonaro, negacionista da gravidade da pandemia do Coronavírus e da necessidade de vacinação, vai desestimular milhões de pessoas de serem imunizadas, tendo primeiro que procurar e assinar um termo de responsabilidade com expressões técnicas e provavelmente confusas que muita gente não vai entender. E com isso, acrescentam analistas políticos, Bolsonaro tenta atrasar o uso da vacina chinesa em São Paulo, mesmo que ela seja aprovada pela Anvisa, esperando que nesse meio tempo o seu governo consiga adquirir outra para ser ele a aparecer como uma espécie de "salvador da Pátria".

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