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Bolsonaro volta a violar isolamento para ir ao café e não evita cumprimentar pessoas com aperto de mão

Presidente brasileiro já violou quatro vezes as orientações de distanciamento social e voltou a criticar as medidas.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 10 de Abril de 2020 às 15:27
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Reuters

Num novo confronto com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que preconiza o isolamento social como forma de combate ao coronavírus, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, foi no final da tarde desta quinta-feira a um café em Brasília. Indiferente às recomendações de Mandetta e da OMS, Organização Mundial de Saúde, Bolsonaro já violou quatro vezes as orientações de distanciamento social e voltou a criticar as medidas e a exigir o imediato regresso de toda a população ao trabalho e não apenas dos trabalhadores de actividades essenciais.

"Vocês sabem o que para mim é actividade essencial? É toda aquela que sirva para uma pessoa levar para casa um pão para dar à sua filha", afirmou Bolsonaro pouco depois do passeio junto de um grupo de apoiantes que, como todos os dias, o aguardava à entrada do Palácio da Alvorada, a residência oficial em Brasília.

O inesperado passeio de Jair Bolsonaro, acompanhado de um dos filhos, Eduardo Bolsonaro, e de uma comitiva de assessores e seguranças, aconteceu no final do expediente, quando todos deixaram a sede da presidência, o Palácio do Planalto, rumo ao Alvorada. No caminho, porém, a comitiva parou na Padaria Pão Dourado, na região conhecida como Sudoeste 312, e o governante e os seus acompanhantes, todos sem máscara, entraram no estabelecimento.

Bolsonaro pediu uma Coca-Cola e um salgado e ficou no local a ingeri-los, o que é proibido, uma vez que os estabelecimentos ligados ao ramo da alimentação só podem servir para consumo em casa e não no espaço do comércio. Enquanto comia e bebia, Bolsonaro, violando mais uma regra do distanciamento social, apertou a mão de vários funcionários do café e de simpatizantes, abraçou outros tantos e tirou muitas fotos, enquanto do lado de fora apoiantes o aplaudiam e críticos gritavam "Fora Bolsonaro!".

Eduardo Bolsonaro encarregou-se de filmar tudo para colocar nas suas redes sociais, para dar o exemplo aos seguidores de que também defendem que não se respeite a quarentena adoptada por governadores e autarcas por todo o Brasil. Bolsonaro afirmou há dias já ter pronto um decreto extraordinário, proibindo governadores e autarcas de adoptarem medidas restritivas e obrigando o comércio, escolas e empresas a reabrirem, mas ainda não o editou porque o Congresso Nacional e juízes do Supremo Tribunal vieram a público avisar que a medida, se for promulgada, será imediatamente derrubada por essas instâncias.
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