Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
2

"Brasil é vítima de campanha de desinformação e de interesses", diz Bolsonaro na ONU

Diplomatas brasileiros classificam como "delirante" o discurso de Bolsonaro na abertura da Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 22 de Setembro de 2020 às 19:52
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Direitos Reservados

Num discurso considerado "delirante" por diplomatas brasileiros e que a imprensa do país avaliou não poder ser levado a sério, o presidente Jair Bolsonaro declarou esta terça-feira na abertura da Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque, que o Brasil é um exemplo para o mundo na questão ambiental mas que, pelas riquezas das suas florestas, está a ser vítima de uma campanha de desinformação e de interesses escusos, principalmente em relação à Amazónia e ao Pantanal. Devido à pandemia da Covid-19, a sessão deste ano da Assembleia-Geral da ONU foi virtual e o discurso de Bolsonaro foi previamente gravado.

"Somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazónia e o Pantanal. A Amazónia brasileira é riquíssima, isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha, escorada em interesses escusos, que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil", afirmou Bolsonaro no seu discurso, aludindo às fortes críticas de instituições e governos da Europa à gigantesca desflorestação da Amazónia e às denúncias que Organizações Não Governamentais brasileiras têm feito do descaso do governo em relação a essa tragédia ambiental e humana.

O governante brasileiro afirmou, contrariando as imagens chocantes de paredões de fogo com dezenas de metros de altura que há meses estão a devastar a floresta, que a Amazónia, por ser uma área húmida, não queima, e que os poucos focos de incêndio ocorrem apenas nas suas bordas e são provocados, segundo ele, por índios que usam o fogo para limpar as suas terras e não morrerem de fome. Mais uma vez, e como tem repetido insistentemente ao responder à vaga de críticas de governos europeus, Bolsonaro voltou a dizer que a Europa critica o seu governo não porque esteja preocupada com o ambiente mas sim por questões ligadas à força do agro-negócio brasileiro.

"O Brasil desponta como o maior produtor mundial de alimentos. E, por isso, ha tanto interesse em propagar desinformações sobre o nosso ambiente", acusou Bolsonaro, que, apesar de ter literalmente desmontado todos os órgãos de fiscalização e de proteção à Natureza no Brasil, afirmou no discurso que o seu governo tem combatido com firmeza todo o tipo de crimes ambientais e que ele tem demonstrado "tolerância zero" com quem destrói a floresta.

Ver comentários