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Brasil enfrenta colapso dos hospitais um ano após primeiro caso de Covid-19

Especialistas alertam que, apesar de a situação já ser muito grave, o pior ainda está por vir.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 26 de Fevereiro de 2021 às 18:50
Vacinação da Covid-19 no Brasil
Vacinação da Covid-19 no Brasil FOTO: Reuters

Um ano depois do primeiro caso de Covid-19 oficialmente registado no Brasil, o de um empresário de 61 anos de São Paulo diagnosticado com a doença provocada pelo Coronavírus no dia 26 de Fevereiro de 2020, o Brasil enfrenta o caos nas redes pública e privada de hospitais. E especialistas alertam que, apesar de a situação já ser muito grave, o pior ainda está por vir.

Em ao menos 17 dos 27 estados do país, os hospitais da rede pública estão à beira do colapso, com ocupação de camas de enfermaria e de cuidados intensivos acima dos 90%. Em ao menos seis desses estados, a rede pública atingiu os 100% de ocupação, como hospitais de referência em Manaus, capital do Amazonas, que já teve de transferir centenas de pacientes para outros estados, e Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte, onde doentes em estado grave têm de ficar "internados" em ambulâncias paradas à porta de hospitais por não haver mais lugar para eles nem nos corredores das unidades de saúde.

Em Goiás, até o hospital de campanha criado pelo governo já atingiu os 100% de ocupação, e em Rondónia nenhum hospital público tem vagas para doentes com Covid-19. Os três estados do sul do país, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, uniram esforços para se tentarem ajudar uns aos outros mas não há muito o que fazer, os hospitais estão sobrelotados, não há como transferir doentes para outras cidades e a situação deve piorar ainda mais nas próximas semanas.

Na maior e mais rica cidade do Brasil, São Paulo, há pelo menos três hospitais públicos com 100% da ocupação e os outros oscilam entre os 88% e 96%. Na enorme rede privada da capital paulista, a situação é ainda pior, com os dois hospitais mais sofisticados e caros, o Sírio-Libanês e o Israelita Albert Einstein com ocupação superior aos 100%, estando a improvisar unidades de atendimento de doentes graves em espaços fora do setor de UTIs.

A situação actual é a pior que o país já viveu desde o início da pandemia, e os especialistas não se cansam de alertar que os flagrantes desrespeitos da população às regras de protecção e isolamento durante o Carnaval, mesmo com a folia tendo sido proibida, vão ter um custo elevadíssimo nas próximas duas semanas. No último periodo de 24 horas já consolidado, o Brasil atingiu um novo recorde de óbitos provocados pela Covid-19, registando 1582 mortes em um único dia, e chegando às 251.661 mil vítimas fatais do Coronavírus e ao assombroso número de 10,3 milhões de pessoas infectadas.
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