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Brasil manda avião à Índia para trazer dois milhões de doses da vacina da AstraZeneca contra a Covid-19

Aparelho está equipado com contentores especiais, que manterão o imunizante na baixa temperatura necessária para que chegue ao Brasil sem qualquer alteração.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 13 de Janeiro de 2021 às 18:06
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Reuters

O governo brasileiro, criticado no Brasil e no mundo pelo atraso no início do processo de imunização contra o coronavírus, apesar de já existirem quase 11 milhões de doses da vacina chinesa Coronavac num laboratório em São Paulo, vai mandar um avião à Índia para ir buscar dois milhões de doses de uma outra vacina, a que foi desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca, ambos de Inglaterra. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde brasileiro, general Eduardo Pazuello.

Pazuello, que se encontra em Manaus, capital do estado do Amazonas, cujos sistemas de saúde públicos e privados enfrentam um colapso devido ao avanço dos casos de Covid-19, afirmou que o avião partiria ainda esta quarta-feira rumo a Mumbai, na Índia, para ir buscar as vacinas. A companhia aérea brasileira Azul, no entanto, responsável pela viagem, corrigiu o ministro, informando em comunicado que o seu avião, na verdade, só parte no final da noite de quinta-feira, da cidade de Recife, capital do estado de Pernambuco.

Ainda de acordo com a companhia aérea, a aeronave não fará escalas na sua viagem de 15 horas até à cidade indiana, onde será carregada com 15 toneladas de produtos, entre eles as vacinas. O aparelho está equipado com contentores especiais, que manterão o imunizante na baixa temperatura necessária para que chegue ao Brasil sem qualquer alteração.

Assim que chegarem ao Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, em princípio no sábado, os dois milhões de doses da vacina da AstraZeneca serão imediatamente transferidos para a Fiocruz, na zona oeste da cidade, respeitado laboratório e instituto de pesquisas que tem uma parceria com a universidade e o laboratório ingleses para passar a fabricar a vacina no Brasil. As doses que chegarão da Índia já estão prontas para uso, com o imunizante já dentro de seringas e estas já com agulhas.

A Fiocruz já tinha comprado as vacinas há alguns dias, e esperava os trâmites normais para que estas fossem enviadas pelo Instituto Serum, de Mumbai, que as fabrica com autorização da AstraZeneca, mas o presidente Jair Bolsonaro decidiu não esperar mais. Numa disputa com o governador João Doria, o seu adversário político, que importou da China 10,8 milhões de doses da Coronavac também já prontas para uso em dezembro e que anunciou pretender começar a imunizar a população paulista dia 25, Bolsonaro mandou buscar outro imunizante ao Oriente para ser ele o primeiro a vacinar pessoas e poder usar esse facto para retirar uma vontagem política.

Tanto o também respeitado Instituto Butantan, de São Paulo, que vai fabricar a Coronavac no Brasil, como a Fiocruz pediram autorização de uso dos seus imunizantes à Anvisa, o órgão regulador no Brasil, que deve dar o seu parecer no próximo domingo. No que foi visto como uma pressão de Jair Bolsonaro, que colocou na Anvisa vários militares fiéis e submissos, a agência aceitou imediatamente  a documentação da AstraZeneca, mas mandou o Butantan apresentar mais documentos sobre a Coronavac, que o presidente brasileiro disse recentemente que poderia fazer crescer barba nas mulheres e transformar os homens em jacarés.

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