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Correio da Manhã

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Brasil pode chegar às 3000 mortes diárias por Covid-19 em duas semanas

Estimativa, já avançada por médicos e especialistas nos últimos dias, é considerada realista entre assessores técnicos do Ministério da Saúde.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 5 de Março de 2021 às 17:54
Coronavírus
Coronavírus FOTO: Pedro Catarino
O Brasil, cujo número de mortes diárias pela Covid-19 se aproximou das duas mil por dia esta semana, pode atingir, e até superar, os três mil óbitos diários ainda antes do final deste mês de Março.

A estimativa, já avançada por médicos e especialistas nos últimos dias, é considerada realista entre assessores técnicos do Ministério da Saúde, que no entanto não a confirmam publicamente por medo de retaliações do titular da pasta, o truculento general Eduardo Pazuello, e do próprio presidente Jair Bolsonaro, negacionista feroz da gravidade da pandemia e que está a viajar pelo Brasil pressionando gestores regionais e locais a suspenderem medidas restritivas contra a Covid-19.

Falando sob condição de anonimato, médicos e cientistas do Ministério da Saúde, hoje controlado com mão de ferro por dezenas de militares impostos ao órgão por Jair Bolsonaro após os dois últimos ministros médicos terem sido demitidos por não aceitarem a ordem do presidente para aconselharem tratamentos sem eficácia, profissionais altamente qualificados que fizeram carreira na área da Saúde, confirmaram que o número avançado por vários médicos pode ser uma realidade já a curtíssimo prazo.

Depois de o próprio ministério ter feito um estudo que indica a proximidade e a expectativa dessa tragédia mas que não foi divulgado por contrariar a postura de Pazuello e de Bolsonaro, esses especialistas calculam que as três mil mortes diárias por Covid-19 possam acontecer até em menos de duas semanas, mantendo-se o actual ritmo de disparada sem controle da pandemia de Coronavírus.

Nos últimos sete dias, o Brasil bateu seis vezes o número de óbitos por Covid-19 confirmados em 24 horas. Foram 1726 vítimas mortais na terça, 1840 na quarta, recorde absoluto até hoje, e outras 1782 esta quinta, último dia em que os dados já foram consolidados.

Há 45 dias que o Brasil tem diariamente mais de mil mortes, e nos últimos três foi o país do mundo em que se registaram mais mortes e mais infecções provocadas pelo Coronavírus, superando até os Estados Unidos, que liderava. Esta quinta-feira, o Brasil registou oficialmente 74 mil novos contágios pelo Coronavírus, tendo ultrapassado as 261 mil mortes e os 10,8 milhões de infectados.

Tanto os especialistas do Ministério da Saúde quanto os de fora desse órgão são unânimes em avançar que esses números terríveis não são nada comparados com os que estão por vir. Dezenas de grandes hospitais, públicos e privados, já atingiram os 100% de ocupação de camas, principalmente para doentes em estado grave, na maior parte do imenso Brasil os hospitais que ainda têm vagas trabalham com ocupação de 90%, 95%, incluindo os do estado de São Paulo, que tem a maior rede hospitalar do país, e o colapso total é uma questão de dias.
Não há muito o que fazer, garantem especialistas de dentro e de fora do governo.

O plano de vacinação em massa esbarra no boicote de Jair Bolsonaro e na incompetência de Eduardo Pazuello, hospitais e governos estaduais e municipais enfrentam uma enorme dificuldade em criar novas camas por não haver mais médicos e enfermeiros disponíveis no mercado, e a perigosa variante do Coronavírus descoberta no início do ano em Manaus, na Amazónia, muito mais infecciosa e letal do que o vírus original, está a tomar conta de todo o país.
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