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Correio da Manhã

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Buraco negro a 55 milhões de anos-luz

Cientistas captaram e divulgaram a primeira imagem de um buraco negro.
Bernardo Esteves 11 de Abril de 2019 às 01:41
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Marco histórico da astrofísica anunciado em seis conferências de imprensa simultâneas.
O primeiro buraco negro captado em imagens fica no centro da supergaláxia Messier 87, a 55 milhões de anos-luz da Terra. Foram preciso oito radiotelescópios espalhados pelo planeta Terra ligados em rede para captar a imagem.

"É maior do que todo o sistema solar, um dos maiores buracos negros que pensamos que existe. É um autêntico monstro. Missão cumprida!", afirmou à BBC Heino Falcke, o cientista alemão que propôs a experiência.

A realidade é semelhante à dos buracos negros retratados em filmes e parece dar razão a Albert Einstein. "É espantoso como a imagem que observamos é tão parecida com o que sabíamos na teoria.

Até aqui, parece que Einstein está correto mais uma vez", afirmou o astrónomo Ziri Younsi. Os buracos negros foram os objetos cósmicos mais extremos previstos em 1915 pelo físico Albert Einstein na Teoria da Relatividade Geral. Segundo o cientista, estes deformam o espaço-tempo e sobreaquecem o material em seu redor.

A mesma equipa de 200 cientistas está a tentar também obter a primeira imagem do buraco negro localizado no centro da Via Láctea, mas a tarefa está a ser mais difícil, apesar da maior proximidade. É que o anel de fogo em torno do buraco negro é mais pequeno e menos brilhante.

Projeto custou 44 milhões de euros
A captação da imagem foi possível graças a uma cooperação mundial orçada em 44 milhões, que incluiu fundos europeus. "Esta descoberta extraordinária é reveladora de que a colaboração com parceiros dos quatro cantos do mundo pode permitir- -nos atingir o inalcançável", disse o comissário europeu da Ciência, Carlos Moedas.

Português Hugo Messias envolvido
O astrofísico português Hugo Messias, que trabalha no observatório ALMA, no Chile, foi um dos 200 cientistas envolvidos no projeto.

Da serra nevada a um vulcão no Havai
Os radiotelescópios envolvidos estão em locais elevados como a Serra Nevada (Espanha) ou em vulcões do Havai e do México.

SAIBA MAIS
40 000
milhões de quilómetros. É esta a extensão do buraco negro captado pela primeira vez em imagens. Com esta dimensão, é 6 500 milhões de vezes maior do que o sol.

Gravidade muito forte
Um buraco negro é um objeto extremamente denso de onde nenhuma luz consegue escapar. Tudo o que entra num buraco negro não sai mais devido à gravidade extremamente forte.

Não pode ser visto
Pela sua natureza um buraco negro não pode ser visto, mas o o material quente que o rodeia brilha muito, e o contraste provoca a formação de uma espécie de sombra.

Luz mais brilhante
O elo brilhante que se vê na imagem é provocado por gases superaquecidos a cair no buraco. A luz é mais brilhante do que todas as outras estrelas combinadas, daí poder ser visto da Terra apesar da enorme distância.

Ideia nasceu em 1993
Heino Falcke teve esta ideia em 1993 quando era um estudante. Ele foi o primeiro a perceber que certas ondas de rádio formadas em torno do buraco negro tinham força suficiente para serem detetadas desde a Terra.

Europa, EUA e Ásia
O projeto ‘Event Horizon Telescope’ envolveu cooperação internacional de mais de 200 cientistas, com financiamento da União Europeia, Estados Unidos e agências asiáticas.
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