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Carne sem morte de animais: conheça os três métodos em estudo

Produção é responsável por 14,5% das emissões globais de CO2.
Correio da Manhã 26 de Janeiro de 2022 às 14:42
Vaca
Vaca FOTO: Getty Images

O constante aumento da população mundial tem forçado a subida de produção de carne, que já é responsável por 14,5% das emissões globais de CO2, segundo o relatório da Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO). Na lista dos impactos ambientais causados por este aumento estão a desflorestação com vista ao alargamento das áreas de cultivo, a poluição do ar e da água e a extinção de espécies. Por essa razão, cada vez mais se tem investido na produção de carne sem animais e há três métodos em estudo neste momento.

A diminuição do consumo de carne e de produtos lácteos poderia contribuir para uma redução de mais de 60% das emissões agrícolas, como pode ler-se num estudo divulgado pela revista científica Nature Foods. "Se reduzirmos o consumo de carne também se 'libertam' terras para outras culturas, o que aliviaria muito os ecossistemas e melhoraria a segurança alimentar em todo o mundo", explicou Martin Bruckner, professor da Universidade de Economia de Viena, que se apresenta como um dos autores do estudo.

Em Espanha esta questão tem sido amplamente discutida levando assim o tema a alastrar-se um pouco por toda a Europa. Da mesma forma que há muito tempo se pretende tornar possível que a indústria automóvel deixe de depender de motores de combustão, também se olha para uma indústria de carnes sem animais como uma das soluções para estes problemas ambientais.

A transição pode ser uma das maiores dificuldades encontradas para aqueles que pretendem reduzir os seus consumos individuais de carne. Para isso, a criação de produtos que, não sendo carne, possam de alguma forma imitar a experiência que um consumidor tem quando a consome, pode ser fundamental para facilitar o processo, como afirma Seren Kell, representante da The Good Food Institute, uma outra organização sem fins lucrativos. Os objetivos para atrair consumidores são o "sabor, o preço e a facilidade de acesso", diz.

Hambúrgueres e enchidos são alguns exemplos, sendo que a pretensão é a de que os produtos sejam semelhantes, dentro do possível, aos que os consumidores de carne estão habituados.

Há atualmente três métodos para a produção destes alimentos. O primeiro está assente numa cultivação a partir de células extraídas de animais e multiplicadas por biorreatores, uma ferramenta essencial neste processo. Os resultados mais positivos têm chegado através da utilização de substitutos de carne com base em plantas. Outro dos métodos estudados consiste na transformação dos resíduos vegetais da indústria agro-alimentar em proteínas nutritivas com preços acessíveis. Por fim, o terceiro método é feito através da cultivação da carne em laboratório, que se obtém a partir da extração de células de fibras musculares.

No entanto, pensar nesta redução de consumo também obriga a repensar a vida dos produtores de carne com animais, que possivelmente vão necessitar de reinventar o seu trabalho.

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