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Casos de sucesso no Mundo: Do rigor grego à resposta rápida da República Checa contra o coronavírus

Eslováquia foi o primeiro país europeu a tornar obrigatório o uso de máscaras e Nova Zelândia apostou na eliminação do vírus.
Ricardo Ramos 2 de Maio de 2020 às 01:30
Grécia já pensa na reabertura do turismo
Checos mantêm distanciamento social na fila para realizar testes de Covid-19
Primeiro-ministro, Igor Matovic, usa sempre máscara nos atos oficiais
Corrida aos restaurantes de fast food após alívio do confinamento na Nova Zelândia
Centro comercial em Seoul
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Centro comercial em Seoul
Com uma das populações mais envelhecidas da Europa e um sistema de saúde debilitado por uma década de austeridade, a Grécia tinha tudo para se tornar num dos principais epicentros da pandemia na Europa.

Surpreendentemente, é hoje vista como um verdadeiro caso de sucesso no combate ao coronavírus, tem uma das taxas de contágio mais baixas entre os países europeus e até já pensa na reabertura do turismo.
Os números falam por si: a Grécia registou até ao momento um total de 2591 casos confirmados e 140 mortes. Para este sucesso muito contribuíram as medidas rápidas e extremamente rigorosas tomadas pelo governo, que rapidamente contratou centenas de médicos e enfermeiros e aumentou em 70% a capacidade dos Cuidados Intensivos.

O país registou o seu primeiro caso no final de fevereiro e as escolas fecharam a 11 de março. Dois dias depois foi a vez dos cafés, restaurantes e outros estabelecimentos e a 23 foi decretada a quarentena total: até para passear o cão os gregos precisavam de enviar antes uma mensagem a informar as autoridades.

A população acatou as medidas de forma exemplar e, seis semanas depois, o país prepara-se para iniciar na segunda-feira o regresso gradual à normalidade com a reabertura do pequeno comércio. Os hotéis e as praias reabrem a 1 de junho e a Grécia espera voltar a receber turistas já a partir de julho.

República Checa foi o primeiro país a levantar medidas
O sucesso da República Checa no combate ao coronavírus explica-se numa palavra: rapidez. O país, com 10,7 milhões de habitantes, foi o primeiro estado europeu a fechar as fronteiras aos viajantes provenientes da China, ainda em janeiro.

Foi também o primeiro país europeu a decretar o estado de emergência, no início de março, quando ainda não havia registo de qualquer morte no país, e foi dos primeiros a tornar obrigatório o uso de máscaras nos locais públicos, medida que irá continuar em vigor até final de junho. Foi pioneiro na utilização de geolocalização para monitorizar os movimentos de pessoas infetadas e dos seus contactos e também na testagem em massa da população. Graças ao sucesso destas medidas, foi também dos primeiros países europeus a iniciar o levantamento das medidas de confinamento, a 20 de abril.

No total, a República Checa registou até agora 7689 casos de Covid-19 e 237 mortes, números relativamente baixos comparando com outros países europeus, e há cerca de duas semanas que o número de novos casos está abaixo dos cem. As coisas estão a correr tão bem que o plano inicial do governo para um desconfinamento gradual em cinco fases foi encurtado para quatro, adiantado duas semanas em relação à data prevista e até o governo britânico já admitiu que está a observar o modelo checo "com grande atenção".

Políticos deram o exemplo na Eslováquia
Com apenas 23 mortes, a Eslováquia é um dos países europeus com menos óbitos causados pelo novo coronavírus. O número de casos está também entre os mais baixos no continente europeu, com apenas 1403 contágios confirmados. Grande parte do sucesso da estratégia seguida pelas autoridades está no uso generalizado das máscaras.
A Eslováquia foi o primeiro país europeu a tornar obrigatório o uso de máscaras nos transportes públicos e locais fechados, logo em meados de março, com os cientistas a alertarem que o uso alargado da máscara teria um efeito semelhante ao da imunidade coletiva, sem os riscos inerentes a esta última abordagem. O exemplo dado pelos políticos foi determinante para garantir o cumprimento da população.

Enquanto noutros países europeus os políticos aconselham os cidadãos a usar máscaras mas raramente as usam em público, na Eslováquia os políticos deram o primeiro passo, ainda antes de a medida se tornar obrigatória.

A 13 de março, num debate televisivo sobre a pandemia que foi um dos programa mais vistos de sempre no país, o PM eleito, Igor Matovic, e o ministro da Saúde apareceram de máscara, tal como o apresentador. O governo lançou ainda uma campanha intitulada ‘Usar Máscara Não é Vergonha’.

Coronavírus "eliminado" na Nova Zelândia
Em meados de março, dias após ordenar uma das quarentenas mais rigorosas impostas em todo o Mundo por causa do novo coronavírus, a primeira-ministra, Jacinda Ardern, traçou um objetivo aparentemente impossível de alcançar sem uma vacina disponível: não apenas achatar a curva da epidemia, mas erradicar completamente o vírus de todo o território neozelandês. Um mês e meio depois, com menos de 1500 casos registados e apenas 19 mortes, o governo declarou vitória e deu o vírus como "eliminado", após conseguir acabar com os casos de transmissão doméstica.

A geografia ajudou a vencer esta batalha. Com portos e aeroportos fechados e uma reduzida densidade populacional, foi mais fácil ao arquipélago de 4,9 milhões de habitantes isolar e controlar a doença.

Na passada segunda-feira, no dia em que foram levantadas as primeiras medidas de confinamento, formaram-se longas filas de carros à porta dos restaurantes de fast food. Pela primeira vez desde março, os neozelandeses puderam voltar a saborear hambúrgueres e batatas fritas, pequenos prazeres que lhes estavam vedados por um confinamento rigoroso que baniu até o takeaway ou as entregas em casa. Ardern já avisou que o desconfinamento será gradual e cauteloso para evitar uma segunda vaga de contágios.

Coreia do Sul: A importância dos testes 
A Coreia do Sul registou esta quarta-feira o primeiro dia sem novos casos de transmissão local de Covid-19 desde fevereiro, um marco importante que prova o sucesso da estratégia seguida pelo governo, assente num ambicioso plano de testes em massa. O país chegou a ser considerado um dos principais epicentros mundiais da pandemia mas, graças aos testes, o governo conseguiu identificar e isolar rapidamente todos os focos de contágio. O país tem cerca de 11 mil casos e 241 mortes.

Macau: Apenas 45 casos
Apesar da proximidade com a China, Macau conseguiu manter-se relativamente a salvo da pandemia graças a um controlo apertado nas fronteiras, com quarentenas obrigatórias para todos os recém-chegados e regras rigorosas de confinamento. O território, recorde-se, começou por registar uma primeira vaga de dez casos em fevereiro. Depois de 40 dias sem novos casos, o território detetou a partir de 15 de março mais 35, todos importados.


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