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Correio da Manhã

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Cazaquistão a ferro e fogo: Detido chefe dos espiões por traição

Karim Massimov chefiava a espionagem interna, que supervisiona a repressão em curso. Massimov é aliado do ex-presidente.
Francisco J. Gonçalves 9 de Janeiro de 2022 às 08:50
Presidente colocou os militares nas ruas para controlar protestos pelos quais responsabilizou “criminosos e terroristas” treinados no estrangeiro e agora procura responsáveis
Carros queimados junta à Câmara Municipal de Almaty
Manifestantes contestam subida dos combustíveis
Moscovo enviou cerca de 2500 militares para ajudar o regime do Cazaquistão
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Após vários dias de protestos contra o governo reprimidos com brutalidade, de que resultaram mais de 40 mortos (26 manifestantes e 18 agentes da ordem, segundo dados oficiais) as autoridades do Cazaquistão procuram bodes expiatórios. O Comité Nacional de Segurança (KNB) anunciou este sábado a detenção do antigo chefe daquela agência de espionagem interna, o também antigo primeiro-ministro Karim Massimov. A detenção pode sinalizar o início de uma purga nos centros de poder do regime.

O KNB afirmou que a detenção aconteceu na quinta-feira e que Massimov será alvo de uma investigação por alta traição. “Foi colocado num centro de detenção temporária”, referiu a agência de espionagem.

Massimov chefiou o KNB até quarta-feira, altura em que foi afastado por ordem do presidente cazaque, Kassym-Jomart Tokayev. A decisão parece indicar uma luta de poder pois, além de liderar o KNB, Massimov era aliado próximo do ex-presidente Nursultan Nazarbayev (foi duas vezes chefe dos seus governos), também ele afastado esta semana da chefia do Conselho de Segurança, órgão influente que condiciona as políticas do país.

Quando Massimov foi demitido, estavam já fora de controlo os protestos iniciados dias antes por causa de um aumento drástico dos combustíveis. Além dos mortos, mais de 3800 manifestantes foram detidos.

A calma deste sábado em Almaty, antiga capital e maior cidade do país, parecia confirmar as garantias dadas por Tokayev no dia anterior ao homólogo russo. Em telefonema a Vladimir Putin, terá dito que a situação estava controlada.

Recorde-se que Tokayev admitiu, na TV, que foi ele quem deu ordem a polícias e militares para usarem força letal contra os manifestantes, sobre os quais deviam “disparar sem aviso”. No entender de Tokayev, quem saiu à rua não foi o povo, foram “grupos de criminosos e terroristas”, alguns dos quais alegadamente treinados por países estrangeiros.

Presidente fala de ameaça terrorista
O presidente Tokayev disse a Putin que o Cazaquistão continua sob ameaça terrorista , apesar d as medidas para controlar a instabilidade.

Israelita entre vítimas da violência
Uma das vítimas da repressão violenta dos protestos em Almaty foi um israelita de 22 anos que residia no Cazaquistão há vários anos.

Rússia reage a alusão "ofensiva" de Blinken
A Rússia reagiu este sábado aos comentários do dia anterior do secretário de Estado norte-americano dizendo que os EUA deveriam refletir sobre a sua intromissão em assuntos de outros países de todo o Mundo.

Antony Blinken questionou o envio de tropas russas para o Cazaquistão e disse, em aparente alusão à Ucrânia: “Uma lição da História recente é que, quando os russos entram na vossa casa é difícil convencê-los a sair.” A Rússia considerou o comentário ofensivo e respondeu: “Blinken devia refletir noutra lição da História: quando os americanos entram num país pode ser difícil continuar vivo.”
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