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'Charlie Hebdo' faz caricatura de Erdogan e aquece tensão entre França e Turquia

Governo turco acusa Emmanuel Macron de ter uma agenda anti-muçulmanos.
Correio da Manhã 29 de Outubro de 2020 às 08:58

O Governo da Turquia disse esta quarta-feira que irá tomar medidas legais e diplomáticas perante uma caricatura de Recep Tayyip Erdogan, o presidente do país, no jornal satírico francês Charlie Hebdo.

O cartoon mostra o líder turco deitado numa cama vestido de cuecas e camisa branca, com uma bebida de lata na mão, junto a uma mulher islâmica parcialmente nua.

"O nosso povo não pode ter dúvidas de que todas as medidas legais e diplomáticas necessárias serão tomadas contra a caricatura em questão. A nossa batalha contra essas medidas rudes, mal-intencionadas e insultuosas continuará até ao fim com determinação", anunciou a diretoria de comunicação do governo turco.

As autoridades turcas condenam a caricatura, com o porta-voz do presidente a afirmar que a mesma não mostra qualquer respeito "por nenhuma crença, sacralidade e valores". Ibrahum Kalin acrescentou ainda que a imagem mostra "vulgaridade e imoralidade" e que não deve ser considerada liberdade de expressão.

Uma outra fonte presidencial acusou ainda o presidente francês Emmanuel Macron de ter uma agenda anti-muçulmanos que já estaria a "dar frutos". O governo francês já reagiu, considerando as declarações "odiosas".

Recorde-se que a tensão entre a Turquia e a França tem-se intensificado nos últimos dias, após um episódio violento no qual um professor francês morreu decapitado após ter mostrado caricaturas do profeta Maomé aos seus alunos numa aula sobre liberdade de expressão.

No fim de semana passado, Emmanuel Macron foi fortemente atacado por Erdogan, que considerou que o homólogo precisava de um exame de saúde mental, o que levou a França a retirar o seu embaixador em Ancara. Esta segunda-feira, o presidente da Turquia apelou a um boicote aos produtos franceses.

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