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Cheias matam adolescente e mulher no centro de Moçambique

Inundações já provocaram a retirada de mais de 70 mil pessoas.
Lusa 17 de Fevereiro de 2020 às 13:12
Cheias em Moçambique
Cheias em Moçambique FOTO: EPA
Os corpos de uma adolescente e de uma mulher foram encontrados a flutuar no rio Búzi, centro de Moçambique, no fim de semana, na sequência das cheias que afetam a região, disse esta segunda-feira a secretária de Estado provincial.

Stela Zeca disse, em conferência de imprensa, que a adolescente, 16 anos, vivia no distrito de Búzi, província de Sofala, não se sabendo a proveniência da mulher, nem a sua idade.

As inundações que atingem a província de Sofala desde quarta-feira já provocaram a retirada de 70.070 pessoas, o correspondente a 15.755 famílias, para centros de acomodação ou casas de familiares situadas em locais seguros, declarou a secretária de Estado.

"Queremos saudar a prontidão de muitos singulares que estão a albergar as famílias e outras pessoas. Nos centros de acomodação estão albergadas menos de 50% das pessoas afetadas", frisou Stela Zeca.

Para alojar as vítimas das inundações foram criados 30 centros de acomodação, acrescentou.

As cheias na província de Sofala estão a afetar os distritos de Buzi, Nhamatanda, Cheringoma, Gorongosa, Caia e Maríngué.

Um total de 1152 casas de caniço foram totalmente destruídas e 3136 destruídas parcialmente pelas cheias, que afetam igualmente 3255 alunos e 322 professores de 27 escolas.

As intempéries na província de Sofala inundaram, pelo menos, 4565 hectares de campos de cultivo, afetando 3.400 camponeses, sendo que autoridades locais consideram que a área afetada chega a 8 mil hectares.

Além desta inundação, e contando desde o início da época chuvosa, em outubro, Stela Zeca afirmou que o número de vítimas do atual período está dentro da previsão contida no plano de contingência, que projetou um impacto sobre 150 mil pessoas.

"Esperávamos dar assistência a aproximadamente 150 mil pessoas e neste caso estamos com 71 mil pessoas afetadas, o que ainda está dentro do nosso plano de contingência", referiu Zeca.

Nesse sentido, prosseguiu, existe capacidade para assegurar a assistência humanitária às vítimas das inundações.

A província de Sofala foi uma das mais afetadas pelo ciclone Idai, que, em março de 2019, matou 604 pessoas e afetou cerca de 1,5 milhões de pessoas na região centro.

Cerca de duas semanas depois, o ciclone Kenneth provocou 45 mortos e afetou 250.000 pessoas em Cabo Delgado, província situada no norte do país.

A atual época das chuvas em Moçambique, de outubro a abril, já matou 54 pessoas e afetou cerca de 65 mil, muitas com habitações inundadas, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC).

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