Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
3

'Clooney' do Vaticano está em parte incerta

Livro do cardeal Sarah a defender o celibato dos padres ditou retirada do arcebispo.
Secundino Cunha 8 de Fevereiro de 2020 às 11:04
George Ganswein
George Ganswein FOTO: Direitos Reservados
É o novo mistério da Santa Sé: onde pára o arcebispo Georg Gänswein, secretário particular do Papa Bento XVI e, até há poucos dias, prefeito da Casa Pontifícia? Há quase três semanas que o chamado ‘George Clooney do Vaticano’ não é visto nos corredores ou nas imediações do Vaticano.

O braço- direito do Papa emérito e sombra do Papa Francisco em todas as audiências e receções de chefes de Estado e de governo estrangeiros está desaparecido desde o estalar da crise provocada pelo polémico livro do cardeal Robert Sarah, em que este defende vincadamente o celibato dos padres.

Há dois dias, um jornal alemão deu conta de que o Papa Francisco tinha demitido Gänswein da chefia da Casa Pontifícia, mas o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, apressou-se a desmentir a notícia. No entanto, não esclareceu a que se deve esta prolongada ausência do arcebispo alemão.

Fontes próximas do ‘belo monsenhor’, como também era designado pelos italianos quando, em 2003, assumiu o cargo de secretário particular do cardeal Ratzinger, asseguram que "D. Georg seguiu as indicações do Papa Francisco, que o aconselhou a tirar umas férias por tempo indefinido".

E a verdade é que D. Gänswein não é visto no Vaticano desde o dia 19 de janeiro. O livro ‘Do mais profundo de nossos corações’ inclui um texto de Bento XVI e o cardeal Sarah anunciou-o como sendo um livro em coautoria com o papa emérito.

A polémica atingiu dimensões sem precedentes, já que isso significaria que Bento XVI estaria a interferir numa decisão do Papa Francisco que, no Sínodo sobre a Amazónia, admitiu a ordenação de homens casados.

O cardeal guineense retirou o nome de Bento XVI da capa do livro, mas reafirmou que o papa emérito quis colaborar na obra. E o arcebispo Gänswein não fica bem na fotografia, já que foi quem intermediou o caso.

SAIBA MAIS
25 anos de ascensão. Este podia ser o título de um livro sobre o arcebispo Georg Gänswein, que chegou ao Vaticano em 1995.

Com Ratzinger desde 2003
O então cardeal Ratzinger nomeou, em 2003, o monsenhor Georg para seu secretário pessoal. Manteve-o nesse cargo após a eleição papal, em 2005.

Arcebispo em 2012
Dois meses antes de renunciar ao pontificado, Bento XVI nomeou Gänswein prefeito da Casa Pontifícia. Em teoria, ainda mantém o cargo.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)