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Correio da Manhã

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Hospitais no Amazonas em colapso já não têm oxigénio para doentes Covid-19

Bolsonaro culpa médicos por não usarem cloroquina.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 15 de Janeiro de 2021 às 18:20
Coronavírus
Coronavírus FOTO: EPA

Centenas de doentes com Covid-19 que estavam internados em hospitais de Manaus, capital do estado brasileiro do Amazonas, começaram a ser transferidos para hospitais de outras regiões do Brasil que atenderam a apelos das autoridades amazonenses. O sistema de saúde do Amazonas entrou em colapso devido à explosão de casos de Covid-19 e vários hospitais não têm oxigénio para manterem as pessoas vivas.

Perante a terrível situação, hospitais públicos e privados de outros estados brasileiros abriram vagas especialmente para receberem os doentes de Manaus. Entre eles estão unidades hospitalares de Brasília e do estado de Goiás, no centro-oeste do país, do Maranhão, no norte, e da Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Ceará e Pernambuco, no nordeste.

Ao todo devem ser transferidos 700 doentes, selecionados entre os que apresentam um quadro de moderado a grave mas que ainda têm forças para enfrentar um transporte aéreo. Aviões da Força Aérea foram adaptados para realizarem essa missão e levam, além dos doentes, equipas médicas, que já tiveram de recusar doentes à porta das aeronaves porque pioraram só com o trajeto do hospital até ao aeroporto.

Enquanto isso, as autoridades do Amazonas e da capital, Manaus, continuam numa corrida desesperada para conseguirem garrafas de oxigénio, tentando parar a terrível mortalidade de doentes com falta de ar. Cilindros de oxigénio usados em empresas e fábricas foram requisitados por decreto do governo regional e foram feitos apelos a empresas, clínicas e hospitais de todo o Brasil e até da vizinha Venezuela para que doem o excedente que tiverem.

Ações instauradas na Justiça tentam obrigar o presidente Jair Bolsonaro a ter uma atuação mais efetiva na resolução do problema, acusando-o de omissão, por não ter mandado para o Amazonas os equipamentos necessários. Com a mesma indiferença com que tem encarado as mais de 206 mil mortes já ocorridas no Brasil devido à Covid-19, Bolsonaro disse numa live realizada na noite de quinta-feira que fez o que lhe competia, e responsabilizou as autoridades e os médicos do Amazonas pela tragédia.

Bolsonaro disse que a situação chegou ao nível em que está porque os médicos não seguiram a sua recomendação para usarem medicamentos que ele defende, como a Cloroquina. Segundo o presidente, que é formado em Educação Física e não em Medicina, a Cloroquina além de prevenir cura totalmente a Covid-19, contrariando a Organização Mundial de Saúde, que já deixou claro que a Cloroquina não tem qualquer efeito contra o coronavírus e ainda pode provocar problemas graves.

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