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Correio da Manhã

Mundo
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Cometa gigante aproxima-se do planeta Terra

Objeto vai passar perto do nosso planeta ainda este mês, o que está a atrair grande atenção da comunidade científica.
Bernardo Esteves 4 de Dezembro de 2019 às 01:30
Planeta Terra
Explosão de raios gama
Sistema Solar
Planeta Terra
Explosão de raios gama
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Explosão de raios gama
Sistema Solar
Um cometa entrou no Sistema Solar e vai passar perto da Terra ainda este mês, o que está a atrair grande atenção da comunidade científica. A definição de perto são, neste caso, 190 milhões de quilómetros, um pouco mais do que a distância da Terra ao Sol, que é da ordem dos 149 milhões de quilómetros.

Uma foto captada por astrónomos da Universidade de Yale (EUA) revela que o cometa em si tem apenas 1,6 quilómetros, mas os gases que formam a cauda atingem impressionantes 160 mil quilómetros. Corresponde a 14 vezes a dimensão da Terra. "É humilhante perceber quão pequena é a Terra ao lado deste visitante", diz Pieter van Dokkum, professor de Astronomia de Yale.

Foi descoberto no final de agosto pelo astrónomo amador russo Gennadiy Borisov, cujo nome foi atribuído ao cometa. "O objeto atingirá o pico de brilho em meados de dezembro e continuará a ser observável com telescópios de tamanho moderado até abril de 2020.

Posteriormente, só será observável com telescópios profissionais e maiores até outubro de 2020", revelou Dave Farnocchia, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

Será no domingo, dia 8 de dezembro, que o 2l/Borisov, originalmente designado por C/2019 Q4 (Borisov), passará mais próximo da Terra.

Os astrónomos estão a aproveitar a visita do cometa para "obter informações sobre os blocos de construção de planetas em sistemas diferentes dos nossos", explicou Greg Laughlin, professor de astronomia de Yale.

Este é apenas o segundo objeto interestelar a ser captado pelos astrónomos. O primeiro objeto vindo de outro sistema estelar observado na Terra foi o Oumuamua, em outubro de 2017.

Os cientistas acreditam que existem outros visitantes interestelares a passar pelo Sistema Solar sem serem detetados. No futuro, a instalação de observatórios como o Large Synoptic Survey Telescope, no Chile, que está previsto entrar em funcionamento em 2022, deverá permitir a observação de muitos outros cometas, mesmo os de pequena dimensão. Agências espaciais em todo o Mundo esperam também conseguir nos próximos anos realizar missões que permitam intercetar e estudar objetos interestelares. A Agência Espacial Europeia está a preparar uma missão para intercetar cometas, que está prevista ser lançada em 2028.

O Halley é o mais famoso dos cometas e o único que passa regularmente no horizonte terrestre, sendo visível a olho nu. Pelo menos desde o ano 240 a.C. que é observado desde a Terra, havendo relatos na China, Babilónia e na Europa. Só em 1705 o astrónomo inglês Edmond Halley conseguiu determinar que se tratava do mesmo cometa que passava e era visível da Terra com uma periodicidade de entre 74 e 79 anos. A superfície do Halley é composta por materiais não voláteis e poeirentos. Apenas uma pequena porção do Halley é composta por gelo. A última aparição ocorreu em 1986 e a próxima visita está marcada para 2061.

Estrela sai de buraco negro
Um grupo de astrónomos de vários países detetou a estrela mais rápida alguma vez observada, recorrendo ao telescópio do observatório australiano de Siding Spring. Trata-se de uma estrela que foi expulsa do buraco negro no centro da Via Láctea a uma velocidade recorde de seis milhões de quilómetros por hora. É dez vezes mais rápida do que todas as outras.

A esta velocidade, deverá demorar 100 mil anos a sair da Via Láctea "Está a viajar a uma velocidade recorde, dez vezes mais rápida que a maioria das estrelas da Via Láctea, incluindo o nosso Sol. Em termos astronómicos, a estrela deixará a nossa galáxia em breve e deverá viajar eternamente pelo vazio do espaço intergaláctico", disse Gary Da Costa, um dos autores do estudo.

Explosão recorde de raios gama
Uma explosão recorde de raios gama a 4500 milhões de anos-luz da Terra foi detetada no início do ano e permitiu perceber que estes fenómenos libertam o dobro da energia que se pensava. Os cientistas acreditam que estas explosões resultem do colapso de estrela em fim de vida.

Exoplaneta com três sóis
Foi uma das descobertas mais extraordinárias e surpreendentes do ano: um exoplaneta com três sóis. O LTT 1445Ab foi encontrado num sistema solar a 23 anos-luz da Terra, em observações do Satélite de Pesquisa de Exoplaneta em Trânsito, da NASA.

SAIBA MAIS
418
milhões de quilómetros era a distância a que o cometa 2I/Borisov se encontrava da Terra quando, no passado dia 12 de outubro, cientistas da Universidade da Califórnia captaram uma imagem daquele corpo celeste.

Acidente com planeta
Acredita-se que o cometa teve origem num outro sistema estelar, tendo sido expulso após quase ter tido um acidente com um planeta.

A primeira fotografia
O primeiro objeto interestelar captado foi designado 1, por ser o primeiro, e I, relativo a interestelar. Oumuamua é uma palavra havaiana, que significa "um mensageiro de longe que chega primeiro".
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