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Corpo de Roberto Leal deixa velório em carro dos bombeiros sob fortes aplausos

Cantor lutava há três anos contra o cancro e morreu na madrugada deste domingo no Brasil.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 17 de Setembro de 2019 às 01:10
Roberto Leal
Roberto Leal morreu aos 67 anos, em São Paulo
Roberto Leal
Roberto Leal morreu aos 67 anos, em São Paulo
Roberto Leal
Roberto Leal morreu aos 67 anos, em São Paulo

Foi sobre um carro dos Bombeiros, uma honra só reservada a grandes personalidades e ídolos dos brasileiros, que o corpo do cantor português Roberto Leal deixou o velório realizado na Casa de Portugal, no centro de São Paulo, pouco depois das 13h40 desta segunda-feira, pelo horário local, 17h40 em Lisboa.



Roberto Leal, que lutava há quase três anos contra um cancro, morreu na madrugada deste domingo no Hospital Samaritano, também na capital paulista, onde estava internado há cinco dias depois de ter tido uma reação alérgica a um medicamento.

Sobre o caixão, em cima do carro dos Bombeiros, foram colocadas as bandeiras de Portugal e do Brasil, que o cantor dizia amar com a mesma intensidade.

Na lateral do veículo uma outra bandeira dava uma noção ainda mais vincante desse amor binacional, pois o estandarte exibia ao mesmo tempo as cores da bandeira portuguesa e da brasileira.

Com as sirenes atroando os ares, o carro dos Bombeiros teve muita dificuldade para deixar a frente da Casa de Portugal, na Avenida da Liberdade, tamanha era a multidão de admiradores do cantor, que tinha 67 anos. Quando o veículo iniciou a marcha para a última viagem de Roberto Leal, a multidão, que paralisou totalmente o trânsito na larga via, aplaudiu demorada e emocionadamente o ídolo até a viatura se perder ao longe.

No salão de festas da Casa de Portugal onde o velório decorreu desde o amanhecer, muitas pessoas profundamente entristecidas continuaram nas cadeiras mesmo depois da saída do cortejo fúnebre, como se quisessem permanecer por mais algum tempo no último local onde estivera o artista que admiram e onde ele tantas vezes se apresentou com a irreverência que lhe era peculiar.

Outras, que tinham ido até à rua para acompanhar a saída do carro dos Bombeiros com o corpo do cantor, voltaram novamente para o salão e juntaram-se às que lá tinham ficado, relembrando as alegrias vividas em apresentações de Roberto Leal a que tinham ido, ou rememorando como as canções que ele cantava lhes tinham ajudado a mitigar as saudades de Portugal.

O cortejo aberto pelo carro dos Bombeiros e seguido por viaturas com familiares, amigos, admiradores e muita gente ligada ao meio artístico e a emissoras de televisão seguiu por várias ruas da capital paulista até ao Cemitério de Congonhas, bairro na zona sul da cidade. Roberto Leal vai ficar sepultado no jazigo que a família tem nesse cemitério, para ficar ao lado dos corpos dos pais e outros seus entes queridos também já falecidos.

A imprensa brasileira, que domingo deu grande destaque à morte do cantor português, fez esta segunda-feira também uma vasta cobertura do velório e do último adeus dos fãs.

Com mais de 400 canções gravadas e 17 milhões de discos vendidos ao longo da sua carreira, Roberto Leal era muito conhecido e querido até nas mais distantes regiões do Brasil, e a sua música, que falava essencialmente de amor, de saudade e de vida, contagiou gerações pela alegria e simplicidade, duas características do cantor português agora desaparecido.

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