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Correio da Manhã

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Crianças violadas por forças da ONU

A organização não-governamental Save the Children denunciou ontem que membros de forças de manutenção de paz da ONU e trabalhadores de organizações humanitárias na Costa do Marfim, Sudão e Haiti abusam sexualmente de crianças. As vítimas têm idades a partir dos seis anos. Esta não é a primeira vez que capacetes azuis são alvo de denúncias de abusos sexuais.
28 de Maio de 2008 às 00:30
Forças de paz das Nações Unidas têm sido repetidamente alvo de denúncias de alegados abusos sexuais
Forças de paz das Nações Unidas têm sido repetidamente alvo de denúncias de alegados abusos sexuais FOTO: António Dasiparu/Epa

A Save the Children adiantou que os níveis de abusos sexuais são 'significativos' e apelou para a urgente criação de mecanismos de supervisão para analisar a situação das crianças. Segundo a organização, os abusos não são denunciados porque as crianças ficam assustadas e acabam por sofrer em silêncio.

De acordo com a directora executiva da Save the Children no Reino Unido, Jasmine Whitbread, a investigação naqueles países pôs a nu as acções de pessoas que 'abusam sexualmente de crianças vulneráveis, que era suposto protegerem'. 'É difícil imaginar um abuso de autoridade mais atroz', acrescentou aquela responsável.

Relativamente aos trabalhadores de organizações humanitárias que participaram em abusos sexuais sobre crianças, Jasmine Whitbread afirmou que acredita que representam uma minoria.

'AINDA TENTEI FUGIR'

A BBC noticiou que, entre muitos outros casos do escândalo ontem divulgado, figura o de uma adolescente de 13 anos, que relatou que dez membros da força de paz das Nações Unidas na Costa do Marfim a violaram e a deixaram a sangrar, a tremer e a vomitar. 'Agarraram--me, atiraram-me para o chão e puseram-se em cima de mim. Ainda tentei fugir, mas eram dez e nada pude fazer. Estava completamente aterrorizada', recorda a menor. Os soldados ficaram impunes.

A ONU diz ser impossível garantir que não haja casos destes numa organização que é tão grande.

SAIBA MAIS

2003

foi o ano em que se soube de abusos sexuais cometidos por soldados da ONU no Congo. Houve denúncias no Burundi, Sudão, Haiti e Libéria e Costa do Marfim

2004

A partir deste ano as alegações de abusos sexuais cometidos por capacetes azuis mais do que duplicaram.

200 MIL PESSOAS

A ONU tem mais de 200 mil pessoas a trabalhar em todo o Mundo. Em 2006, um porta-voz da organização admitiu que há demasiadas queixas de abusos cometidos por capacetes azuis.

DETENÇÕES

Após denúncias no Congo (2003), seis pessoas são detidas. Em 2004, dois capacetes azuis foram repatriados por terem cometido abusos no Burundi.

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