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Correio da Manhã

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Destituição de Trump complica sucessão de Biden nos EUA

Julgamento do impeachment no Senado começa na véspera da tomada de posse de Joe Biden, que receia ver atrasadas as medidas urgentes para combater a Covid-19.
Francisco J. Gonçalves 15 de Janeiro de 2021 às 08:43
Processo de destituição de Trump vai arrastar-se no Senado para lá da sua saída da Casa Branca e pode complicar início de mandato de Joe Biden
Processo de destituição de Trump vai arrastar-se no Senado para lá da sua saída da Casa Branca e pode complicar início de mandato de Joe Biden FOTO: Reuters
O julgamento que terá lugar no Senado sobre a destituição de Donald Trump, e também para tentar impedi-lo de se recandidatar, ameaça ensombrar a tomada de posse de Joe Biden e afastar atenções das medidas urgentes que o novo presidente pretende adotar para estimular a economia e combater a Covid-19.

Ante a recusa do líder republicano do Senado de acelerar o processo, o julgamento de Trump só deve começar no dia 19, véspera da tomada de posse de Biden. Mitch McConnell rejeitou apelos democratas para um julgamento célere de Trump por “incitamento à insurreição”, alegando que não terminaria antes do final do mandato. Mas o julgamento tem de ser realizado, pois a Câmara de Representantes aprovou a destituição na quarta-feira, passando o processo para o Senado. “Espero que o Senado saiba lidar com as responsabilidades constitucionais relativas à destituição sem descurar as outras questões urgentes”, afirmou Biden em comunicado.

Recorde-se que, apesar da decisão da Câmara de Representantes, o afastamento do presidente tem de ser ratificado por dois terços dos 100 senadores. Contudo, é incerto que 17 republicanos se aliem aos democratas para afastar Trump, muito menos depois de este já ter deixado o cargo. Ora, sem destituição não pode ser votada a desqualificação de Trump, que o impediria de voltar a ocupar cargos públicos. Isto é crucial para os democratas, para quem o presidente “é um verdadeiro perigo para os EUA”, não devendo, por isso, poder recandidatar-se em 2024. Assim sendo, as atenções voltam-se já para a possibilidade de invocar a 14ª emenda da Constituição, que prevê que quem esteve envolvido “em atos de insurreição ou rebelião” não pode ocupar cargos públicos. Esta emenda, aprovada em 1868, após a Guerra Civil, nunca foi aplicada para desqualificar um presidente.

Condena violência
O presidente Donald Trump divulgou na noite de quarta-feira um vídeo a condenar a violência da invasão ao Capitólio, mas não refere a destituição que na altura era votada e aprovada na Câmara de Representantes.

Recusa pagar a Giuliani
Chegou ao fim a ‘lua de mel’ de Trump com o advogado pessoal Rudy Giuliani, que liderou, sem sucesso, vários processos legais para impugnar as presidenciais de novembro. Trump recusa pagar os honorários pedidos por Giuliani, que alegadamente terá apresentado uma fatura de 20 mil dólares diários.
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