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Detidos em manifestação de Luanda são acusados de ofensas corporais e danos materiais

Em causa danos numa viatura, queima de uma tenda fiscal e duas motorizadas que terão ficado danificadas.
Lusa 26 de Outubro de 2020 às 23:03
O advogado, Laurindo Fonseca que representa os manifestantes que saíram às ruas de Luanda no sábado,
O advogado, Laurindo Fonseca que representa os manifestantes que saíram às ruas de Luanda no sábado, FOTO: Ampe Rogério/Lusa
Os mais de 100 detidos numa manifestação em Luanda, no sábado, são acusados de ofensas corporais e danos materiais, disse esta segunda-feira à Lusa Helena Victoria Pereira, amiga da ativista Laura Macedo, que está detida.

Helena Victoria Pereira, membro da sociedade civil angolana, falou com um dos advogados que representa Laura Macedo e os restantes detidos - que ainda não começaram a ser ouvidos - e adiantou que são alvo de "sete acusações relacionadas com ofensas corporais e crimes de danos materiais e destruição de bens".

Segundo disse à Lusa, estão em causa danos numa viatura, queima de uma tenda fiscal e duas motorizadas que terão ficado danificadas.

Helena Pereira relatou que o dia foi ocupado, no Tribunal Provincial de Luanda, a discutir questões prévias, não tendo sido iniciada a audição dos arguidos.

"Foram discutidas questões prévias entre os advogados e o juiz, relacionadas com pressupostos legais e condições humanitárias nas cadeias, pelo que não houve inquirições", referiu.

As audiências, suspensas hoje já perto das 20:00, deverão ser retomadas na terça-feira pelas 09:00.

"Se forem ultrapassadas as questões prévias, serão ouvidos os arguidos e os declarantes", que incluem seis polícias feridos, adiantou.

Entre os mais de 100 detidos estão jovens de movimentos cívicos, ativistas e outros manifestantes. Houve também seis jornalistas detidos, três dos quais libertados apenas hoje e sem explicações.

A tentativa de uma manifestação organizada por jovens da sociedade civil, com apoio de dirigentes do maior partido da oposição angolana - União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) -, foi frustrada pelas autoridades, tendo resultado em 103 detenções, ferimentos de polícias, e de manifestantes em números não revelados, além da destruição de meios das forças da ordem.

Os protestos ficaram marcados também pelo arremessar de pedras, colocação de barricadas na estrada com contentores de lixo e pneus a arder pelos manifestantes.

A marcha, convocada por ativistas da sociedade civil, contou com a adesão da UNITA e outras forças da oposição e visava reivindicar melhores condições de vida, mais emprego e a realização das primeiras eleições autárquicas em Angola.

De acordo com o secretário de Estado do Ministério do Interior, Salvador Rodrigues, que negou a existência de qualquer morte resultante do evento, estão detidos 90 homens e 13 mulheres e seis polícias ficaram feridos nos confrontos com manifestantes.

Na sexta-feira, o Governo angolano fez sair novas medidas de combate e prevenção da covid-19, num decreto sobre o Estado de Calamidade Pública, que entre várias restrições, proibiu ajuntamentos na rua de mais de cinco pessoas.

A chegada dos detidos ao Tribunal Provincial de Luanda foi recebido aos gritos de "Liberdade, Já" por várias dezenas de jovens que se concentraram frente ao edifício durante todo o dia e só desmobilizaram ao início da noite, protagonizando alguns momentos de tensão com a polícia.

 

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