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Correio da Manhã

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Donald Trump rasga acordo nuclear com a Rússia

EUA vão abandonar acordo sobre proibição de mísseis nucleares de curto e médio alcance assinado durante a Guerra Fria.
Ricardo Ramos 22 de Outubro de 2018 às 01:30
Donald Trump
Trump acusou a Rússia de violar repetidamente o acordo assinado em 1987
Gorbatchov e Reagan em 1987
Donald Trump
Trump acusou a Rússia de violar repetidamente o acordo assinado em 1987
Gorbatchov e Reagan em 1987
Donald Trump
Trump acusou a Rússia de violar repetidamente o acordo assinado em 1987
Gorbatchov e Reagan em 1987
O presidente Donald Trump anunciou que vai retirar os EUA do acordo INF sobre a proibição de mísseis nucleares de curto e médio alcance, assinado em 1987 no auge da Guerra Fria e que ajudou a reduzir o risco de um confronto nuclear entre as duas grandes potências, principalmente na Europa. Trump acusou a Rússia de violar o acordo, mas a verdadeira justificação estará relacionada com a necessidade de contrabalançar o crescente poderio militar da China, que não está abrangida pelo acordo.

Desde 2012 que os EUA acusam a Rússia de violar o acordo INF, que proíbe o desenvolvimento e armazenamento de mísseis nucleares de alcance curto (500-1000 km) e intermédio (1000-5500 km). "Não podemos deixar a Rússia desenvolver novos sistemas de armamento enquanto nós não o podemos fazer", alegou Trump, que acrescentou não perceber por que é que o anterior presidente, Barack Obama, não abandonou o tratado ou tentou renegociá-lo.


Analistas acreditam, no entanto, que o verdadeiro motivo da decisão é o desejo de desenvolver novos sistemas de armamentos capazes de contrabalançar a China, cujas forças balísticas não estão limitadas por nenhum tratado internacional e se têm desenvolvido de forma preocupante tanto para os EUA como para a Rússia.

Gorbatchov diz que se trata de "erro grave"
O antigo presidente soviético Mikhail Gorbatchov, que assinou o acordo INF com o já falecido presidente norte- -americano Ronald Reagan em 1987, considerou a decisão de Trump como "um grave erro" com sérias consequências para o desarmamento nuclear. "Não devemos rasgar acordos antigos. Será que ninguém em Washington percebe as implicações desta decisão?", questionou o antigo chefe de Estado, de 87 anos.

Moscovo denuncia "passo perigoso"
O vice-MNE russo, Sergei Ryabkov, considerou a retirada dos EUA do acordo como "um passo muito perigoso" com "graves implicações para a segurança internacional e a manutenção do equilíbrio estratégico" e ameaçou com uma "retaliação de natureza técnico-militar".

SAIBA MAIS
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mísseis nucleares de curto e médio alcance foram destruídos pela Rússia e pelos EUA após a assinatura do acordo INF em 1987. Tratado previa também a realização de inspeções.

Corrida às armas
O acordo INF visou travar a escalada de tensão criada pela instalação de quase 400 mísseis nucleares soviéticos SS-20 apontados à Europa Ocidental no final dos anos 70. Os EUA responderam com a instalação de centenas de mísseis Pershing e BGM-109G na Europa.
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