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Estado brasileiro de São Paulo endurece medidas contra a Covid-19 para evitar colapso

Restrições podem agravar se os cidadãos continuarem a desrespeitar as orientações dos especialistas.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 23 de Janeiro de 2021 às 14:24
A primeira dose da vacina contra a Covid-19 aplicada em São Paulo, Brasil
A primeira dose da vacina contra a Covid-19 aplicada em São Paulo, Brasil FOTO: Direitos Reservados

O estado brasileiro de São Paulo, o mais rico e populoso do Brasil, com 45 milhões de habitantes, vai endurecer as medidas contra o avanço da Covid-19 a partir da próxima segunda-feira, 25 de Janeiro de 2021. As novas medidas foram anunciadas pelo governador do estado, João Doria, que não afastou a possibilidade de determinar medidas ainda mais severas se os cidadãos continuarem a desrespeitar as orientações dos especialistas.

Doria, aconselhado por um comité de médicos, colocou quase todo o estado paulista na fase vermelha, a mais restritiva das seis fases do programa de combate ao novo coronavírus, que só permite o funcionamento de atividades absolutamente essenciais, como farmácias e supermercados. A cidade de São Paulo, com os seus 12,5 milhões de habitantes, e as cidades limítrofes continuam na fase laranja, a segunda mais restritiva, mas com mudanças a partir da próxima semana.

A partir de segunda-feira, toda a Grande São Paulo, que concentra cerca de 28 milhões de pessoas, funciona na fase laranja durante a maior parte dos dias úteis, mas a partir das 20 horas desses dias e durante sábados, domingos e feriados entra automaticamente na fase vermelha.

O governo estadual também cancelou todas as cirurgias não urgentes nos hospitais públicos de todo o estado, e adiou o início do ano lectivo, de 1 para 8 de Fevereiro, data ainda sujeita a nova análise. Além disso, Doria anunciou a reabertura de um dos nove hospitais de campanha que funcionaram ao longo de 2020 mas foram encerrados perto do final do ano por a pandemia parecer nessa altura controlada.

Terça-feira passada, o estado de São Paulo superou a marca de 50 mil vidas perdidas para o coronavírus desde o primeiro caso oficialmente registado, em 26 de Fevereiro do ano passado. A média de mortes por Covid-19 no território paulista está há 13 dias consecutivos acima das 200, o que não acontecia desde os piores meses da pandemia no ano passado, e quinta-feira chegou mesmo a superar as 300 vidas perdidas num único periodo de 24 horas.

Segundo os cálculos do governo regional, se estas e outras medidas que eventualmente venham a ser tomadas não surtirem efeito, em 28 dias os hospitais públicos não terão mais camas para doentes graves de Covid-19, não obstante as mais de mil criadas nas últimas semanas e outras 756 que serão criadas até Fevereiro. Na capital estadual, São Paulo, a taxa de ocupação das camas para Covid-19 já supera os 80% nos hospitais públicos, em alguns hospitais particulares já atingiu os 100%, e ao menos três grandes hospitais municipais não aceitam mais doentes por terem esgotado, e até ultrapassado, a sua capacidade de atendimento.

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