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"Estado crítico" ou "está muito bem": As versões contraditórias do estado de saúde de Donald Trump

Presidente dos Estados Unidos permanece internado após ter testado positivo à Covid-19.
Correio da Manhã e Lusa 3 de Outubro de 2020 às 19:47
Trump
Trump FOTO: CMTV
O estado de saúde de Donald Trump após ter sido confirmado que testou positivo à Covid-19 tornou-se um verdadeiro mistério nas últimas horas após várias versões contraditórias terem surgido. 

Se por um lado, os médicos afirmam que o presidente dos EUA se encontra "muito bem", por outro, há fontes próximas de Donald Trump na Casa Branca que revelam que o chefe de Estado norte-americano chegou a estar ventilado na sexta-feira, antes de ser hospitalizado em Walter Reed. Segundo uma fonte familiar, as "próximas 48 horas" vão ser críticas. A mesma fonte, que não foi nomeada, afirma que as últimas 24 horas foram mesmo "preocupantes". 

Os médicos, em conferência de impresa esta tarde, recusaram confirmar se Trump tinha, ou não, necessitado de receber oxigénio afirmando apenas que "agora" não necessitava desse tipo de tratamento. Sean Conley deu um vislumbre positivo do que será o estado de saúde do presidente, no entanto, recusou dar mais detalhes do quadro clínico do chefe de Estado. 

A equipa médica afirmou ainda que o presidente teve febre e tosse, mas negou que o mesmo tivesse tido dificuldades respiratórias. 

No Twitter, o presidente também afirmou estar bem, agrandecendo aos médicos que estavam encarregues do seu tratamento. 


A Casa Branca dispõe de instalações médicas para o Presidente e o internamento significa que a situação é mais grave do que a equipa médica de Donald Trump está a transmitir.

A primeira-dama, Melania Trump, que foi contagiada ao mesmo tempo que o marido, apresenta um quadro clínico controlado e não foi hospitalizada.

Uma situação que também confirma a gravidade do estado de saúde do Presidente. Questionado sobre o motivo da decisão de transferir Trump para o Hospital Walter Reed, Sean Conley, que é também médico da Marinha americana, respondeu: "Porque ele é o Presidente dos Estados Unidos".

De acordo com a estação de televisão CNN, o jornal New York Times e a estação pública de rádio NPR, a Casa Branca está a desenvolver uma campanha de relações públicas para suavizar a situação.

Na sexta-feira à noite, Sean Conley divulgou uma carta dizendo que Trump estava "muito bem", tendo sido iniciado um tratamento com Remdesivir.

Na realidade, este é um medicamento experimental que ainda não recebeu a aprovação da Food and Drug Administration, a entidade que regula novos medicamentos nos Estados Unidos.

Donald Trump, pela idade, peso excessivo, recente debilidade cardíaca e constante pressão de trabalho e de campanha eleitoral, está num grupo de risco elevado. Desde o início da pandemia, o Presidente minimizou as consequências do novo coronavírus e ridicularizou a importância do uso de máscaras.

Durante um comício de campanha em Ohio no mês passado, Trump disse à multidão que o coronavírus afeta "virtualmente ninguém".

Há uma semana, mais de 100 convidados reuniram-se no "Rose Garden" da Casa Branca para o anúncio da juíza Amy C. Barrett, proposta pelo Presidente para o Supremo Tribunal.

Sete dias depois, oito pessoas que participaram na cerimónia testaram positivo para a covid-19.

No recente debate eleitoral com Joe Biden, Trump ridicularizou o uso de máscaras. Embora fosse obrigatório usar máscaras para os assistentes no recinto, a família do Presidente recusou o seu uso.

Vários elementos da liderança republicana, funcionários de campanha e assessores da Casa Branca testaram também positivo o que coloca grandes limitações na campanha presidencial, quando falta apenas um mês para o dia da eleição.

O segundo debate eleitoral marcado para 15 de outubro em Miami, na Florida, não deverá realizar-se.

Com o Presidente hospitalizado, as atenções viram-se para Mike Pence.

O vice-Presidente tem feito testes regulares sempre negativos e mantém a sua agenda inalterada, substituindo mesmo o Presidente Trump em eventos digitais da campanha eleitoral.

O médico do Vice-Presidente, Jesse Schonau, divulgou um comunicado afirmando que Pence não precisa de quarentena e pode "continuar as suas atividades normais" porque "não é considerado um contacto próximo com qualquer indivíduo que tenha testado positivo para a covid-19, incluindo o Presidente Donald J. Trump".

Mike Pence assumirá a Presidência caso o estado de saúde de Donald Trump seja crítico, ou no caso duma fatalidade presidencial.

Pence participa no debate da vice-Presidência com a candidata democrata Kamala Harris, na próxima quarta-feira, 07 de outubro.

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