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"Estou a ser alvejado": Repórter grita em pânico e fotojornalista é atingida num olho em protestos nos EUA

Equipas em reportagem vítimas de agressões e disparos durante motins.
31 de Maio de 2020 às 08:21
Linda Tirado, fotógrafa
Linda Tirado, fotógrafa ferida
Linda Tirado, fotógrafa
Linda Tirado, fotógrafa ferida
Linda Tirado, fotógrafa
Linda Tirado, fotógrafa ferida
A tensão nos Estados Unidos está a aumentar de dia para dia e a violência cresce entre os manifestantes que protestam em nome da morte de George Floyd, o homem que morreu às mãos de um agente da autoridade em Minneapolis. 

Linda Tirado, uma fotojornalista freelancer, ativista e escritora foi baleada num olho na passada sexta-feira enquanto cobria os protestos em Minneapolis. Tirado, 37 anos, foi de Nashville para Minneapolis, para fotografar os protestos, e usou óculos para proteger os olhos. Na tentativa de fugir do gás lacrimogéneo, a fotógrafa deixou-os cair acabando por posteriormente ser atingida num olho durante os protestos. 

"Eu estava a tirar a minha próxima foto, baixei a câmera por um segundo e o meu rosto explodiu", disse numa entrevista por telefone após ter alta do hospital. "Imediatamente senti sangue e gritei: 'Sou da imprensa!'", assumiu numa tentativa de encontrar proteção. Linda Tirado afirmou ainda que a bala tinha vindo do lado da polícia. 

Vários manifestantes socorreram-na e Tirado foi submetida a uma cirurgia uma hora depois. Os médicos acreditam que Tirado não recupere a visão daquele olho, mas a fotógrafa diz-se grata porque só precisa do olho direito para trabalhar.

Tirado é apenas uma dos vários jornalistas que se viram atacados, presos ou assediados - por polícia e manifestantes - durante a cobertura dos protestos nas várias cidades dos EUA. 

Um repórter de televisão em Louisville, Kentucky, foi atingido com gás pimenta, enquanto fazia a cobertura dos eventos em direto, por um polícia que o mirava. O momento fez com que o repórter gritasse em pânico: "estou a ser alvejado". 

Já em Washington, um repórter da Fox News e a sua equipa, foram atacados por manifestantes no exterior da Casa Branca. 

Em Atlanta, dezenas de manifestantes reuniram-se em frente à sede da CNN, onde invadiram a porta da frente, incendiaram e vandalizaram o prédio. Omar Jimenez, um repórter que foi detido enquanto se estava em direto, apesar de se ter oferecido calmamente para se mudar para o local que o polícia queria, relatou que o cinegrafista e produtor da sua equipa foram atingidos com balas de borracha.

Este sábado, dois membros de uma equipa de televisão da Reuters foram atingidos por balas de borracha e feridos em Minneapolis. Num vídeo captado por Julio-Cesar Chávez, é possível ver a polícia a apontar diretamente para a equipa de repórteres enquanto disparavam balas de borracha e gás lacrimogéneo para dispersar a multidão. 

Minutos depois, Chávez e o assessor de segurança da Reuters Rodney Seward foram atingidos por balas de borracha ao se esconderem num posto de gasolina próximo. No vídeo ouvem-se vários tiros e Seward grita: "Fui atingido no rosto por uma bala de borracha".

Os jornalistas da Reuters estavam bem identificados como membros da imprensa. Chávez segurava uma câmera e usava o seu passe de imprensa ao pescoço. Seward usava um colete à prova de bala com uma etiqueta de imprensa anexada.

De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), a polícia deteve cerca de 1.400 pessoas em 17 cidades norte-americanas até agora.

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